O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu uma ampla estratégia tecnológica para assegurar a agilidade e a integridade da transmissão dos resultados da votação nas eleições gerais de 2026, com foco específico nas localidades mais isoladas do território nacional. A Justiça Eleitoral mobilizará uma estrutura composta por até 1.113 terminais da Starlink, distribuídos estrategicamente por 13 unidades da federação. A finalidade central do projeto é superar os gargalos históricos de telecomunicação em municípios, comunidades ribeirinhas, aldeias e regiões de difícil acesso geográfico onde os serviços convencionais de banda larga fixa ou redes de telefonia móvel inexistem ou operam com instabilidade severa.
Para viabilizar a iniciativa, a contratação e a gestão operacional da infraestrutura ficarão sob a responsabilidade da Hughes do Brasil. A prestadora de serviços foi selecionada para fornecer todo o ecossistema tecnológico necessário, incluindo as antenas de comunicação satelital de baixa órbita pertencentes à empresa aeroespacial de Elon Musk, além de acessórios vitais para o funcionamento contínuo em campo. Dessa maneira, a Justiça Eleitoral brasileira busca equiparar o tempo de processamento dos votos de eleitores de áreas remotas ao ritmo das grandes metrópoles, resguardando o princípio da celeridade no encerramento do pleito.
A dimensão logística e a infraestrutura tecnológica do projeto
A condução de um processo eleitoral nas dimensões continentais do Brasil impõe desafios que vão muito além da organização das seções eleitorais nas áreas urbanizadas. Em diversas parcelas do país, as equipes designadas pela Justiça Eleitoral precisam enfrentar horas de deslocamento por vias fluviais ou estradas de terra não pavimentadas para alcançar os locais de votação. Nesses pontos, a ausência de cabos de fibra óptica e de torres de celular representa um obstáculo imediato para o envio célere das informações ao término dos trabalhos de votação.
Para contornar esse cenário adverso, os kits fornecidos pela Hughes do Brasil contam não apenas com os módulos de recepção e emissão de sinal via satélite, mas também com baterias de alta capacidade. Esses acumuladores de energia desempenham uma função fundamental para o êxito das operações, uma vez que diversas zonas eleitorais distantes não dispõem de conexão estável à rede elétrica pública ou dependem exclusivamente de geradores locais com abastecimento restrito de combustível. As baterias garantem que as equipes técnicas tenham autonomia operacional suficiente para executar a conexão e concluir a transmissão logo após as 17 horas, horário de término da votação em todo o país.
Conforme manifestação oficial do órgão central da Justiça Eleitoral, a integração desses equipamentos atende exclusivamente a um propósito técnico e de aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho. “A utilização de meios de transmissão via satélite em regiões de difícil acesso visa estritamente à eficiência logística e operacional, garantindo que o voto de cidadãos em áreas isoladas seja computado com a mesma segurança, rapidez e transparência que em todo o restante do país”, destaca o TSE.
A distribuição dos 1.113 terminais pelos estados brasileiros
O planejamento do Tribunal Superior Eleitoral traçou um mapa minucioso para o envio dos equipamentos, baseando-se em critérios técnicos de demanda por conectividade e complexidade de acesso geográfico. De acordo com informações fornecidas pelo TSE à CNN Brasil, a maior parcela do contingente de antenas será enviada para a Região Norte, historicamente caracterizada por grandes distâncias territoriais e densas coberturas vegetais que dificultam a implantação de infraestrutura tradicional de telecomunicações.
Os estados do Amazonas e do Pará foram contemplados com o maior volume de equipamentos: cada um receberá exatamente 350 terminais da Starlink. Juntas, essas duas unidades federativas somam 700 dispositivos, o que corresponde a aproximadamente 63% de todos os aparelhos previstos para a mobilização nacional. A concentração desses recursos no bioma amazônico responde diretamente à dependência do transporte fluvial e à existência de inúmeros locais de votação situados em margens de rios, florestas e reservas ambientais.
Em seguida, o estado de Mato Grosso aparece com a alocação de 117 terminais, refletindo a necessidade de atendimento a áreas rurais afastadas, zonas pantaneiras e comunidades dispersas em seu vasto território. O estado do Acre receberá 91 terminais, ampliando a capacidade de conectividade ao longo de suas fronteiras e zonas de selva.
Detalhamento das cotas por unidade da federação
Além das regiões mais extensas do Norte e do Centro-Oeste, outros estados brasileiros integrarão a malha de conexão satelital para garantir a comunicação de suas zonas eleitorais mais isoladas. O planejamento oficial prevê o seguinte quantitativo:
O Maranhão e Roraima contarão com 60 terminais cada um, assegurando o suporte a áreas interioranas e terras de difícil locomoção terrestre. O Amapá terá à sua disposição uma cota de 53 terminais para atender a seus municípios e distritos mais distantes dos centros urbanos.
Na sequência do cronograma logístico, o estado de Mato Grosso do Sul receberá 9 terminais. Os estados de Goiás e Piauí foram alocados com 5 terminais cada um. As unidades da federação da Bahia e do Paraná contarão com 4 terminais cada. Já o estado de São Paulo, que apresenta um índice elevado de urbanização e cobertura de telecomunicações, receberá 3 terminais para pontos rurais ou isolados que apresentem déficits de sinal das operadoras tradicionais.
Para fechar o montante de 1.113 dispositivos contratados, dois terminais adicionais permanecerão na sede do próprio TSE, em Brasília. Esses aparelhos institucionais servirão para a realização de testes, contingências de monitoramento operacional e suporte direto à infraestrutura central do tribunal durante o fim de semana das eleições de 2026.
A coordenação fina dos pontos em que cada aparelho será ativado em campo caberá aos órgãos regionais. Cada Tribunal Regional Eleitoral (TRE) terá a responsabilidade formal de identificar e definir os pontos exatos de instalação nas suas respectivas comarcas, organizando a logística de distribuição e recolhimento conforme a realidade climática, geográfica e viária de sua jurisdição.
Como funciona a transmissão dos resultados e a blindagem das urnas
Um dos aspectos mais importantes do modelo adotado pela Justiça Eleitoral refere-se à manutenção integral dos protocolos de segurança e integridade do processo de votação eletrônica. O TSE enfatiza categoricamente que a inclusão das antenas Starlink não altera em nenhum aspecto a segurança do equipamento de votação: as urnas eletrônicas permanecem totalmente desconectadas da internet e de qualquer tipo de rede externa durante todo o período da votação e da emissão dos resultados.
A utilização dos sistemas de telecomunicações por satélite ocorre unicamente após as 17 horas, momento em que o pleito é oficialmente encerrado pelo presidente da seção eleitoral. Assim que a votação termina, a urna eletrônica encerra os registros de sufrágio e realiza o procedimento autônomo de consolidação dos votos ali depositados, gerando um documento físico e digital denominado Boletim de Urna (BU).</








