O plano de diretrizes governamentais apresentado pelo candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) para a disputa das Eleições 2026 traz uma série de medidas estruturantes voltadas para os setores de inteligência artificial, inovação produtiva, infraestrutura digital, segurança cibernética e pesquisa científica. Registrado oficialmente na plataforma de Divulgação de Candidaturas e Contas Eleitorais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o documento reúne as metas do parlamentar para o comando do Executivo nacional, cujo primeiro turno está marcado para ocorrer no dia 4 de outubro, mobilizando um colégio eleitoral superior a 158 milhões de cidadãos aptos a exercer o voto em todo o território brasileiro.
A candidatura do senador ganha visibilidade no cenário em que os principais postulantes ao Palácio do Planalto delineiam seus projetos para a soberania digital e o avanço econômico. De acordo com o levantamento eleitoral Indexa/Broadcast divulgado em 15 de setembro de 2026, Flávio figura entre os cinco concorrentes mais bem posicionados nas intenções de voto no país, grupo que também inclui Augusto Cury (Avante), Lula (PT), Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD). No programa submetido à Justiça Eleitoral pelo Partido Liberal, as temáticas ligadas ao ecossistema tecnológico estão concentradas no capítulo intitulado “Tecnologia, inovação e estado digital”, mas suas ramificações e impactos práticos permeiam áreas estratégicas como segurança pública, saúde coletiva, educação básica e técnica, matriz energética e modernização burocrática dos serviços públicos federais.
Trajetória parlamentar e a conexão de Flávio Bolsonaro com a tecnologia
Filiado ao PL e filho do ex-presidente Jair Bolsonaro — que atualmente cumpre prisão domiciliar —, Flávio Bolsonaro atua como senador da República desde 2019, após ter exercido mandatos consecutivos como deputado estadual pelo estado do Rio de Janeiro. Ao longo de sua experiência no Senado Federal e no parlamento fluminense, o congressista dedicou atenção a pautas correlatas ao ambiente tecnológico e à regulação criminal no ambiente virtual. Flávio participou ativamente da fundação e articulação da Frente Parlamentar da Segurança Digital no Congresso Nacional, fórum destinado a debater vulnerabilidades telemáticas, fraudes eletrônicas e a defesa dos ecossistemas de rede no país.
Além dessa atuação institucional, o parlamentar é autor de proposição legislativa no Congresso voltada a endurecer o Código Penal, buscando tipificar formalmente e estabelecer como circunstância qualificadora do crime de homicídio a utilização de drones, artefatos controlados remotamente ou sistemas automatizados na execução de assassinatos. Essa trajetória de contato com ferramentas digitais também se refletiu em atos de sua campanha política. Durante o período pré-eleitoral, a imagem de Flávio esteve associada à repercussão sobre o uso de soluções tecnológicas avançadas: sua equipe veiculou, durante um evento partidário, uma gravação elaborada por meio de ferramentas de inteligência artificial que reproduzia a figura de seu pai. O episódio foi objeto de análise na esfera eleitoral, mas não chegou a acarretar a imposição de multa por parte do Tribunal Superior Eleitoral.
A presença pública da campanha também incluiu momentos simbólicos de mobilização de massa, a exemplo do ato político liderado pelo candidato na praia de Copacabana, localizada na zona sul da capital fluminense, no dia 16 de agosto de 2026, bem como a manifestação promovida durante o feriado de 7 de setembro na Avenida Paulista, em São Paulo. Nesses encontros com correligionários e militantes, o candidato buscou consolidar os eixos centrais de sua plataforma, que associa o conservadorismo institucional ao incentivo ao livre mercado, à segurança ostensiva e à modernização produtiva baseada em novas tecnologias.
Data centers, recursos minerais e a atração de investimentos em inteligência artificial
No centro das propostas econômicas para o desenvolvimento do setor produtivo de ponta, o programa governamental de Flávio Bolsonaro foca expressamente a ambição de tornar o país competitivo para atrair data centers e IA. Para que companhias internacionais e empreendimentos globais escolham o território brasileiro como base para suas infraestruturas computacionais e operacionais, a estratégia detalhada no plano estabelece a concessão de incentivos fiscais e a desoneração tributária sobre insumos vitais, com destaque primordial para a redução de impostos incidentes sobre a energia elétrica e os combustíveis.
A arquitetura dessa política apoia-se na integração entre a cadeia geológica e as necessidades de infraestrutura de alto desempenho. O documento propõe a conexão direta entre riqueza mineral, energia e demanda dos data centers das novas tecnologias. Para viabilizar esse arranjo, o plano prescreve pilares operacionais que compreendem o desenho de um novo marco regulatório para o segmento, a implantação de processos de licenciamento caracterizados pela agilidade e pelo rigor puramente técnico, além de instrumentos eficientes de atração de capital privado estrangeiro e nacional. A diretriz prevê igualmente a verticalização da cadeia produtiva com base em incentivos de mercado, sempre respaldada por princípios de governança corporativa e ampla transparência administrativa.
Adoção de IA nos negócios e fortalecimento do ecossistema de startups
Em paralelo à atração de complexos físicos de armazenamento e processamento de informações, o plano do candidato do PL define a instituição formal de uma Estratégia Nacional de Inteligência Artificial. A meta fundamental desse dispositivo governamental é desenhada para difundir a IA para as micro, pequenas e médias empresas em larga escala. Como diretriz prioritária de mercado, a aplicação prática dessa tecnologia deve ser direcionada para alavancar a eficiência de quatro setores econômicos cruciais: a indústria de transformação, o agronegócio, a cadeia de saúde e a logística de transportes e suprimentos.
O programa articula essa legislação específica a uma ampla política nacional voltada à criação científica e à inovação em base tecnológica. Essa formulação tem como finalidade direta fortalecer os parques tecnológicos, expandir as incubadoras, apoiar as startups, construindo pontes sólidas para aproximar universidades, centros acadêmicos de ponta e o setor empresarial privado. O foco reside na aceleração da maturidade das empresas emergentes de tecnologia, facilitando o acesso ao crédito, à pesquisa aplicada e aos mercados consumidores no Brasil e no exterior.
Vigilância, segurança cibernética e a criação da Muralha Brasileira
A segurança pública é uma das áreas em que a tecnologia ganha papel central nas metas de governo de Flávio Bolsonaro. O candidato projeta a implantação do programa batizado de Muralha Brasileira. Trata-se de um sistema nacional unificado de reconhecimento facial com conexão direta a bancos de dados criminais, cujo objetivo operacional consiste em localizar foragidos e prevenir crimes de maneira ágil nas cidades brasileiras. A infraestrutura necessária para sustentar a iniciativa prevê a aquisição e instalação de mais de 1 milhão de novas câmeras de monitoramento distribuídas estrategicamente por diferentes regiões do país.
Em sua concepção, o modelo do projeto federal inspira-se expressamente em plataformas em funcionamento no estado e na capital de São Paulo: o programa Smart Sampa, mantido pela Prefeitura de São Paulo, e o Muralha Paulista, coordenado pelo Governo do Estado de São Paulo. A intenção da campanha é escalar a lógica dessas iniciativas locais para um formato de cooperação federativa nacional, interligando forças de segurança estaduais e federais em uma malha de inteligência em tempo real.
No combate a crimes patrimoniais urbanos cotidianos, Flávio assume o compromisso de assegurar a manutenção da prisão para os indivíduos detidos em flagrante por roubo de aparelhos celulares. Adicionalmente, o programa de governo propõe uma alteração punitiva severa para desestimular essa modalidade delitiva: o objetivo é quadruplicar, sem a possibilidade de concessão de benefícios prisionais, a pena imposta a qualquer pessoa que furta ou revende um aparelho fruto de crime, atacando diretamente os receptadores e o mercado ilegal de comercialização de smartphones.
Além do combate ao crime físico, a defesa do ambiente telemático integra as diretrizes de segurança. O candidato defende a urgência em fortalecer a defesa cibernética da nação, priorizando tanto a proteção das bases de dados dos serviços públicos e a salvaguarda de infraestruturas críticas nacionais — como sistemas de energia, água e telecomunicações — quanto o combate ativo contra ataques cibernéticos, golpes financeiros virtuais, fraudes telemáticas e a proliferação do uso criminoso de ferramentas de inteligência artificial voltadas a prejudicar a população civil.
Políticas para mulheres: Central da Mulher, conectividade e chatbot ClarIA
O plano submetido ao Tribunal Superior Eleitoral reserva espaço destacado para a aplicação de soluções digitais voltadas especificamente à proteção, inclusão e assistência das cidadãs brasileiras. O documento preconiza o lançamento do aplicativo Central da Mulher, concebido como a versão totalmente digitalizada de uma estrutura de atendimento físico homônima voltada ao amparo social.
De acordo com o material registrado pela candidatura, o ecossistema do aplicativo englobará serviços integrados destinados a responder a demandas emergenciais e cotidianas, abrangendo:
Acolhimento e proteção imediata a mulheres em situação de risco ou vulnerabilidade;
Acesso a orientação jurídica qualificada para o esclarecimento e a defesa de direitos;
Suporte e apoio psicológico especializado;
Ações programadas no âmbito da saúde preventiva;
Programas formativos dedicados à qualificação profissional e inserção econômica.
Como medida complementar indispensável para que as mulheres possam usufruir da plataforma, o programa planeja a disponibilização de pacotes de dados e conexão à rede de internet. A justificativa explicitada na proposta tem como objetivo garantir que nenhuma mulher deixe de estudar, se capacitar, buscar emprego, empreender ou pedir ajuda por falta de conexão, reduzindo a vulnerabilidade daquelas que enfrentam o isolamento digital e geográfico.
Dentro desse ambiente interativo, o suporte aos atendimentos diários será mediado por inteligência artificial. O projeto anuncia a implementação da ClarIA, um assistente virtual em formato de chatbot desenhado para oferecer atendimento personalizado, orientação e encaminhamento imediato. O sistema automatizado atuará tanto no campo estrito da segurança — facilitando o registro de ocorrências policiais e orientando a solicitação de medidas protetivas de urgência — quanto no encaminhamento rápido aos demais módulos de assistência social, saúde e qualificação presentes na estrutura da Central da Mulher.
Conectividade territorial e transformação digital dos serviços públicos
No capítulo de infraestrutura de comunicações e universalização do acesso, o presidenciável do PL assume o compromisso de assegurar pacotes de conexão destinados a incentivar a capacitação educacional, o ingresso no mercado de trabalho e o empreendedorismo individual. No entanto, o texto protocolado junto à Justiça Eleitoral não especifica a tecnologia nem o modelo técnico operacional de transmissão desses pacotes de dados. No aspecto geográfico, o plano fixa a prioridade de expandir a cobertura telemática para localidades com sinal deficitário ou inexistente, destacando a necessidade urgente de conectar escolas da rede pública, comunidades situadas em áreas rurais e municípios localizados em faixas de fronteira nacional.
Quanto à modernização do Estado, a meta desenhada por Flávio Bolsonaro prevê a digitalização total de todos os serviços públicos do Governo Federal passíveis de conversão digital. A reforma desburocratizante tem a intenção declarada de desonerar o cidadão e eliminar a exigência de reapresentar documentos que o Estado já possui, reduzindo a circulação de papéis e o tempo de espera no atendimento em repartições.
A estruturação desse modelo público inteligente terá como alicerce a consolidação de uma identidade digital única para o brasileiro. Essa ferramenta deverá contar com funcionalidades avançadas de usabilidade, operando inclusive por meio de comandos de voz, de modo que os serviços governamentais sejam disponibilizados de forma simples, intuitiva e acessível a todos os segmentos da população. O projeto dedica especial atenção à Previdência Social: Flávio propõe a digitalização completa dos trâmites administrativos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e a mobilização de assistentes virtuais automatizados especificamente encarregados de indicar a cada brasileiro os serviços e benefícios a que ele tem direito e o caminho para obtê-los.
Avanços em saúde: telessaúde, prontuário unificado e prevenção preditiva
As propostas para o sistema de saúde articulam avanços tecnológicos, regulação digital e combate a vulnerabilidades sociais. Entre as medidas normativas associadas ao bem-estar e à segurança econômica das famílias, o projeto governamental inclui a proibição expressa da utilização de verbas e repasses provenientes de programas sociais em plataformas de apostas eletrônicas.
No atendimento médico direto, a estratégia envolve a ampliação e o contínuo aprimoramento dos serviços de telessaúde e teleatendimento realizados por meio de aplicativos digitais próprios. A medida busca encurtar distâncias geográficas e reduzir o tempo de espera nas unidades físicas da rede primária e secundária de atenção à saúde.
Outra proposta estrutural do plano consiste na implantação de um prontuário eletrônico unificado nacional. Esse mecanismo será vinculado diretamente ao número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do cidadão e integrado à plataforma de serviços do Gov.br. A proposta determina que o sistema estabeleça uma ponte de dados contínua entre a rede de saúde pública e os hospitais e clínicas da rede privada. Por meio desse cadastro integrado, o histórico médico do indivíduo reunirá relatórios de consultas, resultados de exames diagnósticos, calendários vacinais e registros de prescrições farmacológicas.
A inteligência artificial também deve cumprir função analítica preventiva no setor de cuidados. O projeto defende o emprego de sistemas computacionais de IA para determinar quem corre maior risco de adoecer e chamar essa pessoa para se cuidar a tempo. Contudo, a descrição do plano de governo disponibilizada ao TSE não detalha a operacionalização técnica dessa busca ativa, deixando em aberto se o mecanismo operará a partir de alertas disparados em aplicativos ou por meio de busca pelas equipes de saúde da família.
Reformulação da educação: competências digitais e novo papel para a pesquisa científica
Na área da educação, a estratégia de Flávio Bolsonaro combina investimentos materiais em infraestrutura escolar com a modernização da grade curricular da educação básica. O plano propõe intensificar a oferta do ensino de robótica e dotar as escolas públicas de parques de computadores, tablets e acesso seguro e estável à internet de alta velocidade. Paralelamente aos equipamentos físicos, a diretriz estabelece a missão de incluir no currículo competências para a economia digital, habilitando crianças e jovens a operar criticamente as novas tecnologias.
Para os estudantes do ensino médio, a candidatura defende a ampliação expressiva das vagas no ensino técnico profissionalizante, justificando a iniciativa pela necessidade de tratar a formação como vetor da transformação tecnológica no mercado produtivo do país.
Em relação ao sistema de ensino superior e ao desenvolvimento da ciência, o projeto de Flávio propõe uma reorganização institucional profunda: a transferência integral da governança da educação superior — tradicionalmente vinculada à alçada do Ministério da Educação — para o âmbito do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). Com esse redirecionamento administrativo, a meta estabelecida para agências centrais de fomento à pesquisa acadêmica, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), passa a ser expressamente a de priorizar o impacto produtivo, a inovação e a transferência de tecnologia.
Essa reconfiguração busca alinhar diretamente as pesquisas e produções intelectuais desenvolvidas dentro das universidades públicas e privadas às demandas do mercado fabril, da agropecuária e dos serviços do país, canalizando investimentos para que o conhecimento acadêmico possa ser transformado de forma acelerada em produto, emprego e renda.
Diretrizes para matriz energética, fertilizantes e transportes urbanos
O capítulo voltado à infraestrutura energética e ao setor de transportes complementa a visão produtiva de base tecnológica apresentada pela chapa do Partido Liberal. No segmento da segurança alimentar e química nacional, Flávio destaca a necessidade de conceder suporte estatal à produção nacional de insumos fertilizantes essenciais, concentrando investimentos na exploração de compostos minerais estratégicos como o potássio e o fosfato, de modo a diminuir a dependência de insumos externos no campo.
No setor de matrizes limpas, o programa








