O mercado brasileiro de entrega de comida vive um momento de acirrada disputa e forte movimentação financeira. Diante da chegada de novas concorrentes internacionais, a principal plataforma do setor no país revelou um robusto plano de injeção de capital que promete transformar a experiência dos usuários e acirrar a concorrência tecnológica.
Aporte bilionário e reação aos rivais asiáticos
O Ifood anunciou um plano de R$ 24 bilhões em investimentos no Brasil até março de 2027, alta de 41% sobre o ciclo anterior, em meio ao avanço de concorrentes chineses no mercado de delivery. Entre as principais apostas estão mais de R$ 2 bilhões em inteligência artificial, entregas de até 20 minutos e novos serviços logísticos para lojas que vendem fora do aplicativo.
O pacote foi apresentado nesta quarta-feira (16), durante o Ifood Move, em São Paulo. Além da tecnologia e do delivery, os recursos serão direcionados a serviços financeiros, novas categorias de produtos e ferramentas para restaurantes.
O movimento acontece enquanto o mercado brasileiro ganha novos competidores. A Keeta, controlada pela chinesa Meituan, está ampliando sua presença no país, enquanto a 99Food, da também chinesa DiDi, voltou ao segmento e tenta conquistar restaurantes e consumidores. A disputa já chegou inclusive ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à Justiça por causa de contratos de exclusividade e outras práticas comerciais.
Inteligência artificial e novos modelos de negócio
O Ifood pretende investir mais de R$ 2 bilhões em tecnologia e inovação, incluindo agentes de inteligência artificial e o desenvolvimento do chamado Large Commerce Model (LCM), criado em parceria com a Prosus.
O modelo é treinado com dados gerados dentro da própria plataforma, como buscas, cliques, compras, cancelamentos e avaliações. A ideia é usar essas informações para interpretar melhor a intenção de compra e melhorar recomendações e notificações.
Essa frente ganha importância porque as plataformas de delivery disputam não apenas pedidos, mas também frequência de uso e capacidade de prever o que o consumidor quer comprar.
Em entrevista à Folha, o CEO Diego Barreto reconheceu que a entrada de novos competidores torna o ano mais desafiador, mas afirmou que a estratégia da empresa continua baseada em inovação e expansão de produtos.
Logística veloz e diversificação de serviços
Outra aposta é o Ifood Turbo, modalidade que promete entregas em até 20 minutos. O serviço será ampliado para todas as capitais e também passará a atender segmentos como farmácias, supermercados e pet shops.
O Ifood também pretende expandir o Hits, categoria com refeições de preço mais baixo e sem taxa de entrega, para cidades médias. As duas iniciativas buscam aumentar a recorrência de pedidos e atingir situações diferentes de consumo.
Há ainda um novo serviço chamado Ifood Envios. Nesse modelo, o consumidor não precisa comprar dentro do aplicativo: uma loja pode vender pelo próprio site ou outro canal e utilizar a rede logística do Ifood para realizar a entrega em até uma hora.
A empresa pretende conectar esses pedidos aos cerca de 600 mil entregadores cadastrados na plataforma.
Soluções financeiras e consolidação no país
O Ifood Pago, braço financeiro da companhia, receberá R$ 5 bilhões e deve ampliar principalmente a oferta de crédito para restaurantes. A empresa também prevê R$ 1 bilhão para o Ifood Benefícios e aposta em crescimento de categorias como supermercados, farmácias, pet shops, bebidas, conveniência e presentes.
Hoje, o Ifood afirma conectar 65 milhões de consumidores, 500 mil estabelecimentos e 600 mil entregadores, com mais de 180 milhões de pedidos mensais, mantendo operação em mais de 2 mil municípios brasileiros. Com a forte concorrência internacional e o uso intenso de tecnologia, o setor promete continuar em rápida evolução nos próximos anos.








