O Governo dos Estados Unidos oferece uma recompensa de até US$ 10 milhões por informações que ajudem a identificar ou localizar o cidadão chinês Zhang Yu. Ele foi indiciado pela Justiça norte-americana sob a acusação de participar de invasões cibernéticas contra universidades do país e contra o sistema de e-mails Microsoft Exchange. A quantia é mantida pelo programa “Rewards for Justice”, do Departamento de Estado.
As alegações contra Zhang envolvem operações de espionagem cibernética sob orientação do governo da China entre 2020 e 2021. Os alvos primários incluíram cientistas que trabalhavam no desenvolvimento de vacinas para a Covid-19 e redes corporativas globais.
A China, por sua vez, nega qualquer envolvimento com invasões virtuais. A Microsoft confirmou o alcance das invasões em relatórios técnicos da época ao declarar que “o grupo responsável operava a partir da China e utilizava falhas no sistema para acessar contas de e-mail e instalar programas maliciosos”.

Segundo a denúncia do Departamento de Justiça dos EUA, Zhang atuava como diretor na empresa Shanghai Firetech Information Science and Technology e respondia a ordens do Escritório de Segurança do Estado de Xangai. A acusação alega que ele coordenava as invasões em parceria com Xu Zewei, preso na Itália em julho de 2025 e extraditado para os EUA em abril de 2026. Zhang permanece foragido e as acusações contra ele não foram julgadas em tribunal.
Ataques direcionados e invasão à Microsoft
A denúncia descreve dois blocos de invasões. No início de 2020, os ataques miraram universidades dos EUA e pesquisadores de imunologia. Em um das investidas citadas pelos promotores, Xu confirmou a oficiais chineses a invasão à rede de uma universidade no Texas para obter o conteúdo de caixas de e-mail de cientistas.
No fim daquele ano, os suspeitos teriam explorado vulnerabilidades no Microsoft Exchange Server na campanha conhecida como HAFNIUM. A operação comprometeu mais de 12,7 mil organizações norte-americanas.

A Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibersegurança dos EUA (Cisa) alertou na ocasião que “a exploração bem-sucedida dessas vulnerabilidades permite que um invasor não autenticado execute códigos nos servidores afetados e obtenha acesso persistente ao sistema”.
Processo na Justiça e cooperação internacional
A acusação contra Zhang e Xu tramita no Tribunal Federal de Houston, no Texas, e soma nove acusações criminais, incluindo conspiração para fraude eletrônica, danos a computadores e roubo de identidade.
O governo norte-americano sustenta que a China utiliza empresas privadas e prestadores de serviço para ocultar ações estatais de ciberespionagem. Informações sobre o paradeiro de Zhang podem ser enviadas ao FBI ou aos canais do programa de recompensas dos EUA, de acordo com os comunicados oficiais.
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