A indústria dos games é um dos setores mais dinâmicos do entretenimento. Conforme a tecnologia evolui a níveis assustadores, jogos, franquias e estúdios vêm e vão com muita rapidez. Não é muito difícil ver empresas que estão no negócio há anos fecharem suas portas, bem como aquelas que parecem que nunca vão voltar e, do nada, retornam como uma verdadeira fênix.
Isso tem ficado ainda mais evidente nos últimos anos, em que presenciamos grandes players da indústria se reinventando e impressionando bastante. Temos casos mais leves em que o problema foi um jogo financeiramente ruim e decisões erradas, até casos em que uma empresa simplesmente deixou o setor para voltar com tudo, trazendo franquias clássicas.
Pensando nesses casos inusitados da indústria, o Canaltech trouxe 6 estúdios que ressurgiram das cinzas após pisadas na bola que poderiam custar suas existências.
Estes são os 6 estúdios que ressurgiram das cinzas:
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Capcom
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Konami
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CD Projekt RED
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Blizzard
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Remedy Entertainment
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Platinum Games
6. Platinum Games
A Platinum Games surgiu da ruptura de alguns dos maiores desenvolvedores de games do início dos anos 2000 com a Capcom. Um desses produtores é Hideki Kamiya, conhecido por fundar a Platinum e por seu trabalho com Devil May Cry, NieR: Automata, entre outros.
Embora o estúdio não tenha passado por grandes problemas financeiros, enfrentou um período de sucessivos fracassos comerciais e de crítica, como Star Fox Zero e Teenage Mutant Ninja Turtles: Mutants in Manhattan. Além disso, a Platinum encarou um grande baque com o cancelamento de Scalebound, em 2017. O episódio levou Kamiya a pedir desculpas publicamente a Microsoft pela falta de experiência da desenvolvedora anos mais tarde.
Felizmente, não demorou muito para que a Platinum ressurgisse com nada menos que NieR: Automata, aclamada IP da Square Enix que, embora não pertencesse à desenvolvedora, a ajudou a recuperar a sua força. Anos depois, o estúdio trouxe Bayonetta 3, Ninja Gaiden 4 e agora está com Teenage Mutant Ninja Turtles: The Last Ronin nas mãos.
5. Remedy Entertainment
A Remedy Entertainment é uma das desenvolvedoras mais respeitadas e populares dos games atualmente. O estúdio tem um passado de ouro, com clássicos como Max Payne 1 e 2 no currículo. Em 2010, a finlandesa fechou uma parceria com a Microsoft para lançar o exclusivo para consoles Alan Wake. Embora o título tenha cativado uma legião de fãs, não foi considerado um sucesso comercial na época, mesmo com seu status ‘cult’.
A desenvolvedora só voltou aos holofotes nove anos depois com o lançamento de Control, desta vez multiplataforma. Nesse meio-tempo, a Remedy havia lançado o famigerado Quantum Break, outro exclusivo dos consoles XBOX, mas que dividiu opiniões. Muitos jogadores consideram este um dos jogos mais subestimados do XBOX One. Verdade ou não, não foi Quantum Break que trouxe a Remedy ao mainstream.
A partir de Control, o estúdio começou a preparar os jogadores para suas futuras produções. Em 2021, Alan Wake Remastered chegou aos consoles e ao PC. Dois anos mais tarde, a Remedy Entertainment lançou nada menos que Alan Wake 2, que, apesar de ter concorrido ao prêmio de Jogo do Ano, demorou para se pagar financeiramente.
Em 2026, a produtora trouxe outro candidato a Jogo do Ano: Control Resonant, mais um combo magnífico da Remedy. Apesar do prestígio atual da finlandesa, isso não significa que a produtora não tenha tropeçado, em especial com FBC: Firebreak e CrossfireX.
4. Blizzard
Atribuir à Blizzard o status de lendária pode ser pouco para a importância que a desenvolvedora tem em toda a indústria dos games. A produtora é conhecida pela criação do gênero de ARPG e dungeon crawler com Diablo, dar força aos MMORPGs com World of Warcraft, representar o RTS com StarCraft e revolucionar os jogos multiplayer com hero shooter representado por Overwatch, esses são alguns dos jogos mais importantes da indústria, em especial para o setor de jogos para PC.
Com o perdão do trocadilho, a Blizzard passou por uma verdadeira hibernação, em especial após acusações graves de práticas trabalhistas abusivas e denúncias que envolviam até assédio sexual. A produtora ainda levou um verdadeiro balde de água fria com as escolhas em Overwatch 2 e o longo hiato entre seus lançamentos.
A produtora começou a reerguer-se em 2023 com o lançamento de Diablo IV, uma década após o título anterior. Apesar das críticas, o jogo conseguiu certo prestígio e um sucesso financeiro avassalador (resultado de um longo tempo de espera da comunidade). A Blizzard também reformulou totalmente a sequência de seu hero shooter, que voltou a se chamar somente Overwatch. Mais recentemente, a produtora anunciou Diablo V e um novo FPS no universo de StarCraft para a próxima década, prometendo um futuro brilhante.
3. CD Projekt RED
Um dos casos mais visíveis e recentes do ressurgimento nos videogames é o da CD Projekt RED. A polonesa já tinha firmado sua posição como um foguete na indústria de games após lançar o estrondoso sucesso The Witcher 3: Wild Hunt, em 2015. Os fãs da produtora logo voltaram suas atenções para Cyberpunk 2077, RPG baseado na franquia de mesmo nome que prometia mundos e fundos.
A própria CD Projekt RED inflou bastante a expectativa e o hype em torno do jogo. A empresa até contratou Keanu Reeves para interpretar um personagem no RPG e apresentar Cyberpunk 2077 na famosa E3 do XBOX de 2019. O jogo chegaria apenas em dezembro de 2020, mas com uma amarga surpresa.
Cyberpunk 2077 chegou com muitos conteúdos cortados, qualidade gráfica questionável e bugs infinitos. Night City estava totalmente quebrada, assim como a confiança dos fãs na até então prestigiada CD Projekt RED. O impacto foi tão grande que jogadores na época pediram reembolso do jogo em lojas como a PlayStation Store. Em poucos meses, a mídia física de Cyberpunk 2077 aparecia em lojas por preços reduzidos.
Os jogadores começaram a ser bem mais tolerantes com atrasos de lançamentos após o RPG futurista, tamanho foi o impacto do estrago. Demorou, mas, com o tempo, a CD Projekt RED foi consertando o jogo, que recebeu uma dose de adrenalina após o lançamento do anime Cyberpunk: Edgerunners. A cereja no bolo foi o lançamento da bem-sucedida expansão Phantom Liberty, que elevou o título a outro patamar.
Embora não tenha se recuperado 100% da queda, a CD Projekt RED roubou a atenção ao anunciar novidades para a franquia, além de atualizações para o jogo de 2015 (gratuita para quem já possui o game original) e a janela de lançamento para The Witcher 4, previsto para chegar nos próximos anos.
2. Konami
Diferentemente da Blizzard, a Konami chegou ao patamar de desenvolvedora lendária bem cedo, ainda no Nintendinho no fim dos anos 80. A empresa se manteve nesse status por muitos anos e abrigava IPs e desenvolvedores lendários, como Hideo Kojima. Era do interesse da própria japonesa se manter firme, em especial em relação a Kojima, considerado por muitos um dos diretores mais marcantes dos games.
No entanto, esse relacionamento foi se desgastando ao longo dos anos, o que causou uma ruptura entre a Konami e Kojima logo após o lançamento de Metal Gear Solid V. A equipe do criador sofreu muitas represálias da empresa, em especial pelo fato de o último jogo principal da franquia Metal Gear ter demorado bastante e consumido rios de dinheiro em sua produção.
A própria Konami já queria mudar seu foco dos jogos AAA para setores mais lucrativos do entretenimento, entre eles jogos mobile, pachinkos, fliperamas e produções fora do ecossistema tradicional. Essa mudança de foco em nome do lucro e a saída polêmica de Hideo Kojima agravaram a imagem da empresa, que passou os anos seguintes sem grandes atualizações de suas principais franquias, como Silent Hill, Metal Gear e Castlevania.
Demorou quase dez anos para que a Konami percebesse que estava dormindo sobre uma verdadeira mina de ouro em franquias. A partir de 2022, a produtora começou uma saga para reviver IPs como Silent Hill, que desde então vem recebendo novos lançamentos todos os anos. Metal Gear também recebeu atenção ao trazer clássicos para plataformas modernas, enquanto Castlevania voltou aos holofotes com um novo jogo 2D inédito em 17 anos.
Não, a Konami não voltou a ser exatamente o que era no passado, especialmente sem a genialidade de Hideo Kojima. Contudo, a recuperação da popularidade da empresa é admirável. Além do lançamento frequente de jogos, a produtora tem apostado em projetos diversos, como o subestimado Darwin’s Paradox.
1. Capcom
A Capcom foi, sem dúvida, uma das empresas que mais apanharam neste século (e por decisões próprias). Em uma tentativa de capturar ainda mais públicos do que já havia conquistado no início dos anos 2000, somada à debandada de seus principais desenvolvedores e à adoção massiva de microtransações, a produtora japonesa acabou dando um tiro no próprio pé em meados dos anos 2010.
A companhia tentou dar um passo maior do que a perna, algo que muitas empresas também fizeram no mesmo período. Suas franquias ilustres, como Resident Evil, caminhavam para um rumo perigoso ao tentar abraçar todos os públicos e, no processo, perder a própria identidade.
Uma sequência de tropeços da Capcom com títulos como Asura’s Wrath, Street Fighter V e deslizes como Resident Evil: Operation Raccoon City abalou a imagem e o caixa da japonesa.
Foi a partir de Resident Evil 7: Biohazard, em 2017, com seus estúdios reorganizados e investimentos importantes, como na RE Engine, que a produtora começou a limpar a casa e voltou para os trilhos.
Com equipes mais integradas, diretores definidos para cada projeto e um vasto line-up de jogos em produção, a Capcom conseguiu reconquistar seu público. Hoje, a empresa é responsável por uma quantidade impressionante de lançamentos de qualidade: desde remakes de Resident Evil que resgatam as origens do gênero com novas abordagens até títulos variados como Pragmata e Kunitsu-Gami: Path of the Goddess, além de um trabalho monstruoso para consolidar Monster Hunter no Ocidente. Ouvir o feedback dos jogadores foi o que trouxe a Capcom de volta ao lugar de onde nunca deveria ter saído.








