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Que fim levou o MP3, o formato clássico de músicas baixadas pela internet?

Que fim levou o MP3, o formato clássico de músicas baixadas pela internet?
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Até alguns anos atrás, o MP3 era praticamente sinônimo de arquivos digitais de áudio. Eram raros os casos em que o download de uma música ou a criação de um conteúdo sonoro não resultavam nesse formato.

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Essa tecnologia de compressão e distribuição de áudio se popularizou graças a serviços de download de música e os famosos MP3 players, até hoje sendo mantido em computadores e HDs externos de fãs e colecionadores.

Porém, atualmente há cada vez menos informações sobre qual é o formato de áudio utilizado em meios de consumo como o streaming, fazendo até com que muitas pessoas não saibam o paradeiro desse formato. A seguir, entenda ou relembre como ele funciona e saiba também qual o paradeiro atual desse padrão antes dominante.

O nascimento do MP3

O principal responsável pela criação do MP3 como formato é o professor alemão Karlheinz Brandenburg, na época estudante de doutorado na Universidade de Erlangen–Nuremberg.

O grupo de pesquisa dele tinha como meta uma patente sobre como transmitir fala ou música em alta qualidade por linhas telefônicas.

Karlheinz Brandenburg, pesquisador que liderou a equipe por trás do MP3. Foto: Christliches Medienmagazin/Wikimedia Commons

Na metade da década de 1980, eles combinam os avanços em computadores e a psicoacústica, campo que mistura o estudo do som com a forma com que o nosso ouvido recebe o áudio, para desenvolver essa solução.

O resultado foi um novo codificador/descodificador, ou codec no termo mais conhecido, capaz de converter arquivos digitais.

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No fim dos anos 80, os universitários se juntam com a equipe do Fraunhofer Institute, também na Alemanha, e entram em um desafio de desenvolvimento de formatos de áudio criado pelo recém formado pelo Moving Picture Experts Group, ou MPEG, em conjunto com o grupo de testes de padronização ISO.

O resultado do grupo de Karlheinz é um algoritmo chamado Codificação Otimizada no Domínio da Frequência, ou OCF, no termo em inglês.

A música “Tom’s Diner”, de Suzanne Vega, é considerada o maior marco desse experimento: essa é uma canção complexa em elementos e a compressão dela sem prejudicar a reprodução significou que a tecnologia estava pronta.

O projeto aprimorado vira um codec chamado Adaptative Spectral Perceptual Entropy Coding (ASPEC). A diferença dessa tecnologia para outras anteriores ou paralelas está em entender as limitações da audição humana, para que o algoritmo possa “esconder” informações de cada arquivo e chegar a um nível de compressão adequado.

Qualidade aceitável e leveza no tamanho do arquivo foram os segredos do formato para se popularizar. Foto: Khaletski Siarheigoffkein.pro/Adobe Stock

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Esse equilíbrio entre arquivos bastante leves e qualidade sonora relativamente alta é chamado de mascaramento auditivo, sendo a chave para o MP3 fazer tanto sucesso em tão pouco tempo.

A MPEG recebeu ao todo 14 propostas de codecs e formatos. Em 1991, nasceram três camadas oficiais:

  • a camada 1 era uma variante de baixa frequência do MUSICAM, um formato rival;;
  • a camada 2 era o mesmo MUSICAM, porém usado em versão otimizada;
  • a camada 3 era baseada no ASPEC, melhor compressor da lista, e posteriormente rebatizado de ISO MPEG Audio Layer 3.

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É só em julho de 1995 que os criadores oficializam o nome popular do formato de arquivo “.mp3”.

Com a explosão de serviços de download pirata de músicas, como o Napster e seus sucessores, além da popularização dos players de áudio portáteis, ele se tornou a extensão favorita de arquivos de áudio por combinar leveza e uma fidelidade considerável para não-audiófilos.

O MP3 ainda existe?

O formato MP3 segue existindo, oferecido como saída de arquivos de áudio e amplamente disponível como opção de arquivos.

Na última década, mesmo sem uma estatística única sobre a sua adoção, é possível afirmar que ele perdeu o protagonismo como formato de consumo de música.

Em 2017, o Fraunhofer IIS anunciou até que pararia de licenciar diversas patentes do codec do MP3 para desenvolvedoras de softwares, reduzindo a implementação comercial do formato para quem não estivesse mais interessado.

Plataformas de streaming já não usam mais o MP3 como padrão em arquivos musicais. Foto: GettyImages/Avid Photographer

A tecnologia deixou de ser a melhor opção até mesmo tecnicamente: o próprio instituto criador reconhece que codecs mais recentes, em especial o AAC e também o MPEG-H Audio, têm melhor eficiência de compressão e recursos adicionais sob uma qualidade superior.

Conexões mais rápidas e dispositivos com cada vez mais memória interna também permitem o armazenamento sem tantos impactos de áudios em melhor qualidade, a partir de padrões como FLAC, ALAC, WAV e AIFF.

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Ele ainda foi bastante impactado pela ascensão do streaming para músicas, o que torna guardar álbuns inteiros em MP3 um hábito de uma quantidade cada vez menor de pessoas.

Porém, o padrão continua disponível legalmente em diversas modalidades e plataformas. Ele segue relevante como tecnologia de distribuição, armazenamento, compatibilidade e preservação de áudio no formato digital.

Para boa parte dos usuários, embora não seja mais a melhor opção, um arquivo MP3 codificado de forma correta segue adequado para ouvir música em ambientes como celular, carro, caixas Bluetooth e fones convencionais.

A tecnologia dele não avançou de forma significativa nos últimos anos, mas isso pouco importa para um padrão tão consolidado. Ele pode ser reproduzido por diferentes aplicativos e dispositivos, além do vasto acervo acumulado ao longo de três décadas, o que torna a sua adoção quase automática.

Players de MP3 são um respiro atual para quem busca uma fuga do streaming e de smartphones. Foto: Maurizio Pesce/Creative Commons

Além disso, curiosamente, ele sobrevive em nichos cada vez mais evidentes. Eles incluem pessoas que buscam ouvir música a partir do seu próprio acervo, sem algoritmos, ou quem não quer as distrações convencionais de um celular — tanto que players de MP3 alternativos ao iPod, a maioria vindos da China, tiveram um aumento registrado nas vendas nos últimos dois anos.

Que fim levou o Walkman, o tocador de fitas cassete ‘descolado’ da Sony? Descubra nesta matéria! /Com informações de Fraunhofer IIS e BBC.

Equipe Guia no Toque

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