Eu tenho sentimentos bem mistos sobre The Witcher 3: Remastered. Como alguém que já zerou o fim da saga de Geralt mais de seis vezes, confesso que a inclusão do Path Tracing não encheu meus olhos, embora a adição de efeitos e as modificações da árvore de habilidades sejam bem-vindas.
Gráficos não são tudo, eu sei disso, mas convenhamos que jogar um game que tenha a proposta de ser um pouco mais realista, com efeitos mais encorpados, é bem interessante. É isso que o remaster de The Witcher 3: Wild Hunt se propõe a fazer, embora ele venha sendo criticado por não mudar muita coisa.
Quando um game mais recente ganha um remaster, é comum que o público gamer não note tanta diferença, principalmente visual. Witcher 3 é de 2015 e naquela época já era um expoente gráfico com visuais bem charmosos, e a versão Next Gen de 2022 já deu um upgrade poderoso ao título da CD Projekt Red.

The Witcher 3: Wild Hunt Remastered não é um remake e nem traz gráficos de próxima geração, mas é uma adição gratuita muito bem-vinda – principalmente no PC, onde o usuário pode alternar entre as versões. Mesmo assim, por ser grátis, não está isenta de críticas.
Mudou alguma coisa?
Se você abrir o YouTube e procurar pelo remaster de The Witcher 3, receberá vídeos divididos entre aqueles que gostaram e aqueles que dizem “Não mudou nada”. A grande crítica é no quesito gráfico, no qual muitos apontam que a chegada do Path Tracing ao game até piorou em comparação ao Ray tracing disponibilizado em 2022.
Gostar ou não é algo muito particular de cada jogador, mas que há diferenças, isso é um fato. Pensando nisso, eu resolvi comparar duas cenas de Witcher 3 entre a versão Remastered e a versão Next-Gen, unicamente para comprovar alguma eventual mudança. O resultado? Eu não sei se gosto mais da versão antiga ou da nova.
O gráfico abaixo mostra uma região próxima ao Porto de Beauclair, mapa inserido na expansão Blood & Wine. Eu escolhi este reino especificamente por conta da sua beleza natural. Velen é feiosa, Novigrad parece São Paulo e Skellige eu gosto muito, mas a terra do vinho é imbatível.
Nesta versão Next-Gen, à esquerda, além da câmera mais próxima do personagem, a saturação parece maior e as sombras são mais escuras. Já o remaster afasta Geralt do plano central e deixa as coisas mais lisas, com um tom mais amarelado e menos saturado.
Se você perceber, o game Next-Gen está com um bug de sombras, como se as texturas e determinados elementos da iluminação não estivessem devidamente carregados. O próprio Geralt de Rívia e suas roupas ficam bem diferentes, mais escuras, enquanto o remaster clareia isso.
Algo muito similar acontece com a vegetação, que sempre desempenhou um papel importante em Wild Hunt. No remaster, o jogo parece perder saturação, ao passo que fica mais claro. As folhas e gramas ficam com menos sombras e parecem menos volumosas por conta disso.
O que está acontecendo é que o Path Tracing está simulando exatamente a luz do sol nas duas imagens comparadas, tanto na cidade, quanto no mato. A luz solar incide diretamente com muita força nesses dois pontos e há poucos elementos que façam sombras expressivas. Na natureza, aquele terreno cheio de mato possivelmente estaria assim.
Ambas as capturas foram feitas no mesmo horário no game, às 9 horas, e capturadas quase do exato mesmo ângulo. A copa das árvores fica mais profunda no remaster, assim como o castelo no topo superior esquerdo, e as falhas geológicas no terreno, que mostram os pedaços de terra sem vegetação.
Então, há diferenças entre o The Witcher 3 Next-Gen e o The Witcher 3: Remastered. Há quem prefira a versão mais tradicional, inclusive sem nada de traçado de raios, e há quem prefira a nova versão com todo o esplendor do Path Tracing – e seu peso absurdamente absurdo.
Um clássico é sempre um clássico
Eu me lembro bem quando The Witcher 3 foi lançado em 2015 e colocou os PCs em uma batalha profunda. Rodar a história de Geralt com tudo no máximo era um desafio e tanto, mas mesmo a configuração média do game já trazia um nível de qualidade muito alta. Bem, isso não mudou.
The Witcher 3: Wild Hunt Remastered tem um menu completo para configurações gráficas, dividido entre os presets regulares Baixo, Médio, Alto e Ultra. Vale notar que o usuário ainda pode setar manualmente a qualidade Ultra+ em certas opções, adicionando uma camada de peso ao título.
No que tange ao Ray Tracing, há uma opção mais básica para essa tecnologia e o preset “RT Ultra”, que coloca o game no seu máximo. Essa configuração habilita até mesmo o Path Tracing, e é aí que as coisas ficam bem interessantes.
Antes disso, vale fazer aquela revisão sobre a mudança de qualidade entre os presets. Entre o Ultra e o Alto a diferença é basicamente irrisória, mas adiciona camadas de iluminação e volume extra na grama e deixa o cabelo de Geralt de Rívia mais realista – o que para mim é bem importante.
Do Alto para o Médio, a qualidade do terreno já muda, pois há um detalhamento menor que torna as estradas e casas menos interessantes. O cabelo fica inferior e isso afeta até os pelos do querido Carpeado.
Obviamente, a maior percepção de mudança vai do Médio para o Baixo, onde todas as configurações ficam no mais básico possível. O terreno fica chapado, os personagens parecem ser feitos de borracha, as árvores têm menos definição e as superfícies são bem menos atrativas.
Path Tracing muda alguma coisa?
O grande chamariz de The Witcher 3: Wild Hunt Remastered está na adição da tecnologia de Path Tracing. Esse é um adicional ao Ray Tracing já existente, incorporado na versão Next-Gen de 2022. Na comparação direta, já vimos que esse recurso muda o cenário, mas o que acontece no comparativo interno?
Ao começar pelo básico, a imagem à beira de um lago abaixo mostra como a diferença do Ray Tracing para o Path Tracing pode ser pequena. Novamente, observamos que o remaster retira sombras excessivas e deixa a cena mais colorida, trazendo um misto de sentimentos.
O que essa tecnologia verdadeiramente faz é melhorar detalhes nesse jogo. Por exemplo, as sombras entre as pedrinhas na direita ou nos tufos de grama espalhados pelo chão ficam muito bem contornadas e não dispersas, como acontece no Ray Tracing. O mesmo acontece com Geralt e Carpeado, que ficam mais claros por conta da presença do Sol. Tanto a armadura quanto os efeitos ficam mais brilhantes.
Esse tipo de padrão pode ser observado durante todo jogo, inclusive em cenas mais fechadas. Com esse mercador, o Path Tracing demonstra como as sombras ficam bem mais escuras e como elas contornam bem os objetos. Basta se atentar ao barril na direita e como ele ganha um corpo muito diferente com o Ray Tracing.
Essa pequena varanda da casa azul também indica como o Path Tracing se comporta de maneira diferente. No Ray Tracing ela é muito mais clara, enquanto que com o PT, fica bem mais escura. A dinâmica tenta replicar o que aconteceria na realidade, já que aquele espaço seria naturalmente escurecido devido à falta de luz, como a chama de uma lamparina ou tocha.
Por falar em regiões internas, casas e castelos são os que compartilham a melhor dose do Path Tracing. A iluminação volumétrica gerada por essa abundância de raios de luz consegue distribuir melhor os pontos onde há uma tocha acesa. Como resultado, ela se expande mais, mas os arredores ficam muito escuros, já que uma pequena tocha não pode verdadeiramente iluminar um cômodo inteiro.
Já a imagem abaixo mostra como é a disparidade entre o game com sua iluminação nativa, pré-renderizada, em comparação com o Path Tracing. É engraçado porque esse teste mostra que PT deixa o game levemente mais opaco e com menos cor, enquanto a versão sem a tecnologia parece mais viva.
Apesar disso, o detalhismo na cena entrega as melhorias para o Path Tracing, que deixa aquelas pequenas estruturas com fumaça à direita melhor sombreadas. Geralt também fica muito mais visível e com melhorias sensíveis de armadura.
É bonito, mas é pesado
Se The Witcher 3 já era pesado antes, a atualização que adiciona o Path Tracing ao game levou isso a um outro patamar. Se você quiser rodar esse título com essa tecnologia ativada, é bom ter um PC bem robusto.
Nos testes básicos, sem auxílio de traçado de raios e na resolução 4K, o game desempenhou como esperado. Mesmo assim, a configuração do Ultra+ bateu nos 79 FPS em uma build com uma RTX 5080. Tecnicamente, esse ainda é um jogo de 2015 – mas que tomou muita bomba.
Setup de testes
- Processador: AMD Ryzen 7 9800X3D
- Placa-mãe: MSI MPG X870E Carbon Wi-Fi
- RAM: 32 GB Kingston Renegade (2×16) 6.400 MT/s
- Placa de vídeo: GeForce RTX 5080
- SSD: XPG S70 Blade 1 TB
- Fonte: GIGABYTE P1000GM 1.000W
- Cooler: Corsair iCUE Link Titan 360 RX RGB
- Gabinete: Corsair 5000D Airflow
- Sistema Operacional: Windows 11
O mais interessante desses testes básicos é como há um aumento legal de FPS ao sair do Ultra para o Alto e, principalmente, do Alto para o Médio. É basicamente 40 FPS de diferença que pode mudar muito a gameplay de jogadores com hardwares mais modestos. Se considerar que o Médio desse jogo ainda é bem bonito, esse é o sweet-spot ideal.
A situação muda completamente quando vamos para o território do Ray Tracing e do Path Tracing. Eu testei esse game com uma build muito poderosa, então confesso que o impacto foi menor do que eu esperava. Mesmo assim, vale notar que esses benchmarks específicos foram feitos na resolução Quad HD, visto que meu monitor ultrawide só vai até o 1440p em Widescreen e a resolução virtual em 4K não me deixou usar os geradores de quadros.
Quais as outras mudanças de The Witcher 3: Remastered?
Por ser uma versão remasterizada, a CD Projekt Red trouxe algumas pequenas melhorias ao game. Confira abaixo:
- Melhorias visuais e de performance: traz maior detalhamento e profundidade do mapa, como mudanças em texturas, NPCs, monstros, vegetação, renderização e iluminação retrabalhada;
- Suporte ao PSSR: na versão de PlayStation 5 Pro, o game pode ser combinado ao PlayStation Spectral Super Resolution para aumentar a taxa de quadros;
- Animações: Geralt e Carpeado agora têm um maior dinamismo no momento, que parece mais fluido e realista;
- Sentidos de Bruxo: os visuais também foram refinados para aumentar a imersão e focam somente nos elementos essenciais da narrativa;
- Menus: a experiência do usuário foi lapidada para ficar mais intuitiva e rápida;
- Transmog: permite que jogadores alterem a aparência das armaduras e lâminas sem alterar seus status de poder e defesa.

Vale a pena?
The Witcher 3: Wild Hunt Remastered é uma daquelas remasterizações mais simples, mas que traz pontos positivos. Por mais que o Path Tracing não seja a praia de todo jogador de PC, as melhorias no combate, armaduras e sinais fazem com que uma nova jogada seja bem divertida.
Aos que gostam de levar a qualidade gráfica ao extremo, como eu, o Path Tracing faz um trabalho nos detalhes e não é nada que vai mudar exponencialmente sua experiência. Todavia, ativar essa tecnologia resulta em uma queda vertiginosa de desempenho que talvez nem os geradores de quadro da vida resolvam.
Por falar em games, um mod funde a gameplay de Spider-Man na Gotham de Batman Arkham Knight e cria uma experiência bem única. Siga o Voxl no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.








