Este texto faz parte de uma série de matérias em que o TecMundo apresenta as propostas sobre inteligência artificial, ciência, soberania digital, regulação e investimento em tecnologia de todos os candidatos e candidatas a governador/governadora nas Eleições 2026 dos seis estados mais populosos do país. Confira, abaixo, todos as matérias com as propostas dos candidatos ao executivo estadual:
- Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado de Minas Gerais;
- Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado da Bahia;
- Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado do Rio de Janeiro;
- Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado de São Paulo;
- Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado do Rio Grande do Sul.
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O Paraná tem o quinto maior eleitorado do país, com mais de 8,6 milhões de pessoas aptas para votar, além de ser o segundo estado com maior índice de eleitores com biometria válida.
As Eleições 2026 são marcadas por uma renovação. Com o fim do segundo mandato de Ratinho Júnior (PSD) , um novo nome ocupará o cargo. O escolhido do atual governador para a sucessão é Sandro Alex (PSD), com a concorrência envolvendo principalmente Sérgio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), além de vários estreantes em pleitos estaduais.
Para ajudar o eleitor a decidir o seu voto, o TecMundo preparou uma série especial. Nós elencamos as propostas e um pouco da visão de todos os candidatos sobre temas importantes relacionados com a tecnologia, incluindo inteligência artificial (IA), segurança digital e educação.
Confira, a seguir, o que pensam e qual o planejamento de cada candidato do Paraná em relação a todos esses assuntos, com base no plano de governo publicado oficialmente no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Adriano Funileiro (PCO)
Adriano Funileiro, que é mecânico de manutenção, está na segunda candidatura ao governo do estado. O plano de governo é um manifesto nacional, com um programa que inclui demandas fora da área de atuação de um governador.
Entre os temas abordados, há a proposta de cancelar “todas as privatizações realizadas”, incluindo operadoras de telefonia. Ele também se posiciona contra a “entrega das terras raras” e propõe a criação de uma empresa estatal que controle sua exploração, bastante visada por indústrias como a de semicondutores.

Adriano ainda busca o fim da proibição do uso de celulares nas escolas e defende a “liberdade irrestrita de expressão” na internet, a quebra do monopólio no setor pelas grandes empresas privadas de telecomunicações e “internet gratuita para toda a população”.
Doutor Alexandre Salomão (Mobiliza)
Candidato ao governo do Paraná pelo Mobiliza, o advogado Alexandre Salomão está em sua primeira eleição para qualquer cargo.
Ele menciona poucas propostas sobre tecnologia no plano de governo, mas cita a continuidade e ampliação das aulas de programação e robótica na rede estadual de ensino e o fortalecimento do ensino técnico e profissionalizante no contraturno escolar, para aproximar “a escola pública das demandas reais do mercado de trabalho”.
Luis França (Missão)
Luís França é advogado e não concorreu anteriormente a qualquer cargo público por meio de uma eleição. Ele é candidato pelo partido Missão, também em sua primeira disputa em todo o país.
O candidato propõe construir “uma nova cadeia econômica” que inclui construir maior capacidade computacional, desenvolvimento da IA e a proteção dos dados públicos, em uma política de longo prazo que ajudaria também na formação de profissionais na área.
A capital Curitiba sediaria um “cluster público experimental” de efetiva inicial entre 0,5 e 1 megawatt, com outras duas cidades (Ponta Grossa e Guarapuava) com estruturas de focos diferentes de aplicação na sequência.

A Celepar cuidaria de operação tecnológica, segurança e integração com os sistemas estaduais. Já uma política estadual de soberania de dados avaliaria o uso de “informações de saúde, segurança, identificação, arrecadação, infraestrutura e planejamento”, com processamento “quando necessário” em infraestrutura pública ou em ambientes de regras específicas.
Em gestão pública, o candidato sugere a criação de uma política de integração de serviços de atendimento. Ele também promete rever (inclusive com uso de IA) contratos estaduais de tecnologia, incluindo contratação de plataformas e integração entre sistemas.
França quer o reaproveitamento de equipamentos para destinar máquinas a tarefas como inferência ou laboratórios universitários e escolas técnicas. Já a IA poderá ser usada por professores para “identificar erros e auxiliar”, mas não ser o único instrumento usado em avaliações.

Ainda em educação, instituições de ensino seriam avaliadas por meio de métricas como “produção de patentes, contratos, tecnologias transferidas e soluções”. Ele também sugere transformar resíduos da produção animal e agroindustrial em biogás, biometano e biofertilizantes, além de ampliar a telemedicina.
Na segurança pública, o projeto inclui o uso de câmeras públicas e privadas conveniadas combinada com “leitura de placas, análise de vínculos, identificação de padrões e outras ferramentas”. O candidato também cita ampliar “mecanismos legalmente autorizados” de detecção e interrupção das comunicações criminosas.
Tayná Miessa (UP)
Também estreante em eleições e candidata pela UP, Tayná é produtora de espetáculos públicos.
Em suas propostas, ela aborda a criação do Instituto Estadual de Fomento à Inovação Tecnológica e do Programa Paraná do Futuro, para “atrair projetos de tecnologia limpa” a partir de cooperativas.
Tayná sugere ainda parcerias com instituições de ensino “para articular investimentos públicos no setor de Tecnologia de Informação” e incentivar o desenvolvimento de carreiras em cursos de Tecnologia, além da instalação de indústrias de tecnologia limpa e reciclagem.
Outra menção envolve o fim dos contratos com plataformas digitais pagas e investimento em alternativas criadas e gerenciadas pelo Estado, em especial na educação. Em segurança pública, ela se declara a favor de câmeras corporais com transparência e auditoria independente.
Samuel de Mattos (PSTU)
Samuel de Mattos já foi candidato à Prefeitura de Curitiba e a deputado federal. Ele é professor de Ensino Médio e concorre pelo PSTU.
Ele critica o uso de avanços tecnológicos como “instrumentos de demissão, arrocho salarial e intensificação da exploração” do trabalhador e defende a estatização das plataformas digitais de transporte e entregas — fora o reconhecimento do vínculo empregatício, valor mínimo de pagamento por atividade e condições de trabalho seguras.
O candidato também pede o uso de câmeras corporais por todos os agentes de segurança, “com gravação ininterrupta e armazenamento dos materiais” e “exigência de responsabilidade e mecanismos de prevenção contra fraudes por parte de bancos, fintechs e plataformas digitais”.
Samuel menciona ainda a ideia de construir uma infraestrutura digital pública de dados em banda larga e armazenamento em nuvem, “nacional e sob controle dos trabalhadores”. Plataformas privadas seriam regulamentadas, com limites de coleta de dados “enquanto se constrói alternativas públicas robustas”.
Ele quer reverter privatizações e fortalecer empresas como a Celepar, adotar o software livre e o código aberto como padrão em todas as esferas do governo e promover políticas massivas de educação digital e inclusão tecnológica, além de “investir maciçamente em pesquisa e desenvolvimento de tecnologias digitais no Brasil”.
Requião Filho (PDT)
Requião Filho é advogado e pela primeira vez candidato ao governo do Paraná. Ele também é deputado estadual e já concorreu à Prefeitura da capital em 2016.
Ele pretende manter a Celepar como uma empresa pública, voltada para a soberania digital ao “proteger os dados e os sistemas essenciais do Paraná” e ampliando os serviços da companhia para as prefeituras.
Fora “digitalizar serviços sem excluir quem precisa de atendimento presencial” na saúde, o candidato é a favor de ampliar câmeras corporais na segurança, com a integração de videomonitoramento, leitura de placas, alertas eletrônicos e análise criminal com auditoria e proteção de dados

Em educação, a ideia é ensinar computação, programação, robótica e uso crítico da IA “sem plataformização, vigilância ou substituição dos professores”. O candidato também quer integrar universidades, laboratórios e empresas para “mobilizar financiamento, cooperação, compras públicas e encomendas tecnológicas”.
Requião Filho também pretende ampliar a fibra óptica pública e “conectar escolas, unidades de saúde, segurança e prefeituras”.
Sérgio Moro (PL)
Sérgio Moro é candidato ao cargo de governador pela primeira vez. Ele é atualmente Senador pelo Paraná além de ser advogado, ex-juiz e já ter ocupado o cargo de ministro da Justiça e Segurança Pública em 2019.
Ele propõe a criação de hubs tecnológicos para integrar empresas, universidades, centros de pesquisa, governos, startups e instituições de apoio. Essa rede bastante voltada para IA ajudaria na adoção da tecnologia, na contratação de especialistas por bolsas e no maior acesso “à infraestrutura de computação em nuvem”.
No serviço público, o candidato quer “incorporar IA para qualificar o atendimento, agilizar processos e apoiar decisões”, incluindo cruzamentos com bases de dados para “identificar riscos, contratos suspeitos e sobrepreços”, além de digitalizar processos e documentos.

A cidade ficaria mais inteligente ao “estimular o uso de tecnologia na gestão urbana” em áreas como iluminação e trânsito, enquanto na saúde a inteligência de dados serviria para melhorar resultados assistenciais.
Já a proposta para a Celepar é de um “choque de eficiência de gestão” com novos executivos indicados e a “restauração da meritocracia” para prestar serviços aos órgãos do governo. Ele ainda menciona atrair investimentos gerais para data centers e infraestrutura digital.

Moro promete ainda internet de alta velocidade (por antenas, satélite, fibra, 5G e provedores locais) em todo o estado, inclusive em escolas, para ampliar o uso de laboratórios, robótica e IA na aprendizagem.
Na segurança, a proposta é um sistema estadual de videomonitoramento que integra câmeras públicas e privadas com IA para reconhecer pessoas procuradas e veículos suspeitos com alertas em tempo real, com a automatização de registros de ocorrências para aprimorar investigações e operar como uma “análise preditiva para fortalecer a prevenção da violência”.
Sandro Alex (PSD)
Sandro Alex é advogado e ex-deputado Federal, além de ocupar o cargo de secretário de Infraestrutura e Logística do Paraná na atual gestão. Ele disputa a primeira eleição para governador do estado.
O candidato quer “preparar o Paraná para as grandes transformações do Século XXI”, com a IA atravessando várias áreas de governo. Na educação, ele promete “ampliar a disponibilidade de ferramentas seguras” para apoiar avaliações, planejamento docente, produção de materiais e identificação de dificuldades
Ele fala ainda em “imersão internacional em ciência, tecnologia, engenharia, matemática e inovação” para estudantes, com ampliação de laboratórios de áreas como robótica ou programação e modernização dos Colégios Agrícolas, em áreas como automação, drones e biotecnologia.

Na saúde, a proposta é integrar dados, serviços e unidades do SUS em uma rede que inclui acompanhamento de filas e exames, e IA para gestão e apoio da decisão clínica. Já para mobilidade urbana, uma plataforma ficará responsável por ler placas em tempo real e identificar veículos “irregulares, clonados ou com restrições”, além de mapear pontos críticos de acidentes e avaliar dados.
Para a segurança pública, ele cita o uso “intensivo” de IA para avaliar bancos de perfis genéticos e a integração de bases de inteligência, além de conexão das Muralhas Digitais Estaduais e Municipais e políticas de enfrentamento a cibercrimes.
No campo da indústria, Sandro sugere implantar centros regionais de adoção de IA com apoio técnico e “vouchers” para pequenas empresas. Sob conceitos como Smart Industry, ele quer também identificar profissões emergentes e com demanda, fora fornecer requalificação e apoio aos trabalhadores afetados “pela automação, pela transformação digital ou pelas mudanças no perfil das atividades econômicas”.

Em infraestrutura, o projeto detalha a criação de um observatório estadual e um gêmeo digital do território, para integrar dados e resultados de sensores com simulação de cenários, manutenção preditiva e monitoramento.
Sandro também cita a “atração de empresas de nuvem, de IA e de data centers” e criação de “fábricas de IA com foco em eficiência energética”, além de maior capacidade computacional, soberania e segurança.
Por fim, no eixo de governança digital, o candidato promete “IA aplicada a serviços público, capacitação de servidores e gestores, planos de IA para órgãos estaduais e a “universalização da conectividade” para áreas rurais, escolas e unidades de saúde, com “dados abertos” em conformidade com a LGPD”.








