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Eleições 2026: o que os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul pensam sobre tecnologia?

Eleições 2026: o que os candidatos ao governo do Rio Grande do Sul pensam sobre tecnologia?
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Este texto faz parte de uma série de matérias em que o TecMundo apresenta as propostas sobre inteligência artificial, ciência, soberania digital, regulação e investimento em tecnologia de todos os candidatos e candidatas a governador/governadora nas Eleições 2026 dos seis estados mais populosos do país. Confira, abaixo, todos as matérias com as propostas dos candidatos ao executivo estadual:

  • Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado de Minas Gerais;
  • Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado da Bahia;
  • Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado do Rio de Janeiro;
  • Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado de São Paulo;
  • Conheça as propostas sobre tecnologia e ciência dos candidatos a governador/governadora do estado do Paraná.

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O Rio Grande do Sul, sexto maior colégio eleitoral do país – logo atrás do Paraná – soma um pouco mais de 8,6 milhões de eleitores. Este ano, há 158 milhões de brasileiros aptos a votar no país inteiro.

Nas eleições de 2026, o comando do Palácio Piratini obrigatoriamente deixará a mão de Eduardo Leite (PSD), já no fim de seu segundo mandato. Além de governador, os eleitores do estado votarão para eleger 31 deputados federais e 55 deputados estaduais.

Abaixo, confira um resumo das propostas dos candidatos ao governo do Rio Grande do Sul. A ordem dos candidatos foi definida por ordem alfabética, considerando o primeiro nome.

César Pontes (PCO)

O programa do Partido da Causa Operária (PCO) para as eleições de 2026, que serve de base à candidatura de César Pontes, é um documento nacional, sem propostas específicas para o Rio Grande do Sul, e não tem um eixo dedicado à tecnologia.

As medidas ligadas à área estão concentradas no capítulo sobre liberdade de expressão. Nele, o partido defende a quebra do que chama de monopólio das grandes operadoras privadas de telecomunicações sobre a internet e o acesso gratuito à rede para toda a população.

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César Pontes se opõe à Lei Felca, descrita no plano de governo como um tipo de censura. 

No mesmo trecho, o PCO defende liberdade irrestrita de expressão na internet e se opõe à chamada “Lei Felca”, apelido não oficial do ECA Digital. Na educação, o partido pede o fim da proibição do uso de celulares nas escolas, em vigor desde 2025 por lei federal.

O documento também propõe cancelar privatizações já realizadas, entre elas as do setor de telefonia. Outra proposta é criar uma empresa estatal comandada pelos trabalhadores para controlar a exploração de terras raras, grupo de minerais usado na fabricação de componentes eletrônicos e de ímãs para motores elétricos.

Gabriel Souza (MDB)

Gabriel Souza, candidato do MDB ao governo do Rio Grande do Sul, apresenta boa parte das propostas de tecnologia como expansão de iniciativas já existentes. Uma das propostas é consolidar uma política integrada de governo digital, inteligência de dados, automação e inteligência artificial aplicada à gestão pública. Isso inclui expandir os serviços digitais, ampliar a rede Tudo Fácil e fortalecer o uso da GurIA e de outros canais inteligentes de atendimento.

Eduardo Leite (PSD) encaminha a sucessão de seu vice, Gabriel Souza (MDB), como candidato ao cargo máximo do executivo do Estado. Foto: Maurício Tonetto/Secom

No capítulo sobre o ecossistema de inovação, uma das propostas é mobilizar o potencial do estado para tornar o Rio Grande do Sul um polo estratégico de infraestrutura digital e inteligência artificial na América Latina.

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Outras propostas do capítulo incluem:

  • Descentralizar a ciência, tecnologia e inovação, com apoio a ambientes regionais de inovação;
  • Ampliar os investimentos em CT&I voltados às principais cadeias produtivas gaúchas;
  • Ampliar o apoio a startups e empresas de base tecnológica, com incentivo à propriedade intelectual e à transferência de tecnologia;
  • Atrair empresas de tecnologia e centros de P&D, além de fortalecer eventos como o South Summit Brazil;
  • Ampliar o papel da Fapergs no financiamento à inovação.

Na indústria, a proposta é consolidar uma política estadual de transformação digital voltada principalmente a pequenas e médias empresas.

Já em relação a segurança pública, o plano prevê ampliar o uso de inteligência artificial, ciência de dados, videomonitoramento, drones, integração de sistemas e ferramentas de segurança cibernética. Entre os objetivos está aperfeiçoar a investigação e o combate ao estelionato digital.

Quando trata de saúde, a proposta de Gabriel Souza é consolidar a transformação digital do SUS. O plano fala em interoperabilidade entre sistemas, integração do prontuário eletrônico em todos os níveis de atenção e ampliação da telemedicina.

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O plano também usa a tecnologia na resposta às mudanças climáticas e no desenvolvimento do interior. As propostas incluem:

  • Expandir e modernizar o sistema estadual de monitoramento, com integração de dados em tempo real para prever eventos extremos;
  • Criar uma plataforma digital interoperável de dados ambientais entre estado, municípios e União;
  • Ampliar a conectividade no campo como parte dos investimentos em infraestrutura rural;
  • Elaborar um Plano Estadual de Mineração e Minerais Estratégicos que inclua minerais críticos e terras raras.

Juliana Brizola (PDT)

O plano de governo de Juliana Brizola (PDT), que tem Edegar Pretto (PT) como vice, dedica um capítulo específico à ciência, tecnologia, inovação e soberania digital. No diagnóstico, o documento aponta um descompasso entre a pesquisa produzida nas universidades gaúchas e sua aplicação no setor produtivo e na administração pública. Também critica a dependência do estado em relação a softwares, plataformas e infraestruturas digitais de grandes empresas estrangeiras.

A deputada estadual Juliana Brizola (PDT) agora concorre ao governo do estado do Rio Grande do Sul. Foto: Marcelo Bertani/ Agência ALRS

Entre as propostas centrais estão:

  • A garantia dos recursos da Fundação de Amparo à pesquisa do Estado do RS (Fapergs);
  • O apoio a startups e GovTechs;
  • O fomento a pesquisas em inteligência artificial e tecnologias assistivas voltadas a saúde, clima, agricultura e gestão pública;
  • A expansão da Infovia Gaúcha para conectar escolas, unidades de saúde e órgãos de segurança, e o estímulo à instalação de data centers abastecidos por energia renovável;
  • A criação do Programa Gaúcho de Microeletrônica e Semicondutores, que articularia o Ceitec, universidades e empresas às políticas nacionais de reindustrialização.

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Na educação, a candidata propõe conectividade universal na rede estadual e acesso a tecnologias com soberania de dados. A área de juventude prevê formação em programação, IA e tecnologias digitais para estudantes da rede pública.

A digitalização de serviços públicos aparece na saúde, com regulação integrada e digital, transparência das filas e um Prontuário Eletrônico Gaúcho Unificado. Na segurança pública, a Polícia Civil ganharia uma estrutura especializada em crimes cibernéticos e golpes digitais, com capacidade de bloquear rapidamente contas fraudulentas.

Luciano Zucco (Partido Liberal)

O candidato ao governo do Rio Grande do Sul Luciano Zucco (PL) cita o uso de tecnologia em praticamente todas as áreas de seu plano de governo, mas dois blocos centrais reúnem boa parte das propostas.

Tenente coronel Zucco e o candidato à presidência, Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/Deputado Luciano Zucco

No primeiro eixo do documento, Zucco apresenta objetivos relacionados à inovação, ciência e tecnologia. São descritos planos para:

  • Investimento em pesquisa: consolidar a Política Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e fortalecer a FAPERGS;
  • Fortalecimento de cadeias produtivas: concentrar esforços em semicondutores, saúde, agro, software, IA, indústria avançada, energia e tecnologias climáticas;
  • Abrir caminho para startups: aperfeiçoar o Inova RS, apoiar parques e incubadoras e conectar startups a grandes empresas;
  • IA e computação: ampliar o acesso a dados, nuvem e capacidade computacional para pesquisa;
  • Talentos: ampliar programas de inserção de mestres e doutores em universidades, empresas, cooperativas e centros tecnológicos.

Zucco aponta a dependência tecnológica do estado como um problema e propõe, como solução, consolidar nichos competitivos de microeletrônica. Para isso, o plano prevê integrar universidades, CEITEC, parques e empresas; apoiar laboratórios e prototipagem; formar profissionais; e prospectar negócios e projetos.

Quanto à conectividade, o candidato também cita a necessidade de levar internet às regiões remotas. O objetivo é ampliar a cobertura, a qualidade e a continuidade das comunicações no estado, em colaboração com o Governo Federal e as operadoras.

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Zucco também quer simplificar os procedimentos do estado, revisando cada serviço oferecido antes de informatizá-lo. Os pontos de destaque incluem:

  • A modernização do RS.GOV.BR;
  • A implantação de serviços proativos e automáticos, como formulários pré-preenchidos e assinaturas digitais;
  • Investimentos em infraestrutura, como servidores, backups e redundância para recuperação de dados.

A IA também seria peça importante na administração de Zucco, sendo utilizada em triagem, análise documental, atendimento e fiscalização.

Na segurança, o plano prevê a ampliação do videomonitoramento e da leitura automática de placas. As forças estaduais seriam reforçadas com ferramentas de IA, reconhecimento facial, drones e análise automatizada de dados.

Por fim, o candidato promete expandir serviços de telemedicina, integrar plataformas de educação, fortalecer a agricultura de precisão, reforçar os sistemas de clima e defesa civil, com radares, sensores e estações meteorológicas, e implantar a bilhetagem única no transporte público.

Marcelo Maranata (PSDB)

Marcelo Maranata, candidato do PSDB ao governo do Rio Grande do Sul, dedica capítulos específicos do plano de governo a três temas: governo digital e inteligência artificial, ciência e inovação, e conectividade.

Na área de governo digital, a proposta é consolidar o portal rs.gov.br e o Tudo Fácil como uma rede integrada de serviços estaduais, com identidade digital e acompanhamento de solicitações. O plano também prevê universalizar o processo administrativo eletrônico e a assinatura digital, implantar um assistente digital para orientar a população sobre serviços e benefícios e criar um centro estadual de cibersegurança e resposta a incidentes.

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O plano prevê criar a Secretaria de Transparência Pública, Integridade e Governança de Dados e um catálogo público de bases com registro do uso de algoritmos.

No capítulo de ciência, tecnologia e inovação, o plano propõe uma estratégia estadual de especialização inteligente, estímulo a capital semente, venture capital e fundos de coinvestimento, além do uso de encomendas tecnológicas para resolver desafios públicos.

Para a conectividade, as propostas incluem:

  • Mapeamento da cobertura e da qualidade da banda larga em todo o estado;
  • Fibra óptica para equipamentos públicos;
  • Programa de conectividade rural;
  • Wi-fi público em áreas de maior vulnerabilidade;
  • Estímulo a redes comunitárias onde o mercado não atende;
  • Letramento digital e segurança online.

Maranata promete defender em Brasília restrições ao acesso de menores de 16 anos a redes sociais, com verificação etária confiável, preservação de dados e responsabilização das plataformas.

O documento também propõe diferenciar jogos de azar eletrônicos de videogames e outras atividades digitais recreativas. Segundo o texto, o objetivo é evitar políticas genéricas que prejudiquem a indústria de tecnologia, o desenvolvimento de software e os esportes eletrônicos.

Na segurança pública, a principal proposta ligada à tecnologia é uma força estadual permanente de inteligência cibernética para combater estelionatos, fraudes digitais e lavagem de dinheiro. Na saúde, o plano prevê um hub estadual de saúde, inovação e tecnologia, que reuniria universidades, hospitais, startups e indústria.

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Rejane de Oliveira (PSTU)

Rejane de Oliveira, candidata do PSTU ao governo do Rio Grande do Sul, trata a tecnologia como parte de um projeto de reindustrialização sob controle estatal. O programa de governo da chapa, que tem Adão Lima como candidato a vice, não tem um capítulo específico sobre o tema, mas as propostas aparecem ao longo do documento.

A mais direta está logo na introdução. A chapa quer criar um polo estadual de tecnologia, semicondutores e inteligência artificial “100% público”, ligado às universidades públicas. O dinheiro viria de fundos de investimento produtivo voltados à industrialização e à inovação tecnológica e associados a institutos de pesquisa. Segundo o programa, esses fundos seriam abastecidos pelos excedentes de empresas expropriadas.

Entre os temas de tecnologia, o que ganha mais espaço no documento é a instalação de data centers no estado. O programa critica a Scala AI City, complexo projetado para Eldorado do Sul e voltado ao treinamento de modelos de inteligência artificial. As críticas são o licenciamento ambiental simplificado e o alto consumo de água e energia do empreendimento. Para o setor, a candidata propõe:

  • Debate amplo com a população sobre os impactos da instalação de data centers no estado;
  • Controle público de todas as infraestruturas de dados e tecnologias;
  • Revogação dos contratos que hospedam informações sensíveis em nuvens de empresas transnacionais;
  • Desenvolvimento de softwares livres e de inteligências artificiais nacionais.

Na mineração, o programa prevê uma empresa estatal gaúcha para pesquisar, extrair e refinar terras raras e minerais estratégicos, sob controle dos trabalhadores e em parceria com universidades do estado.

Para quem trabalha por aplicativos, a chapa defende uma série de garantias:

  • Remuneração mínima por hora trabalhada;
  • Transparência dos algoritmos;
  • Direito de defesa contra bloqueios;
  • Seguro contra acidentes pago pelas plataformas;
  • Contribuição patronal para a Previdência;
  • Pontos públicos de descanso e medidas de proteção contra a violência.

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Priscila Voigt (UP)

O programa de governo de Priscila Voigt, candidata da Unidade Popular (UP), não tem um eixo dedicado à tecnologia. As propostas mais próximas da área estão ligadas à ciência e ao ensino superior.

Nesse campo, a candidata promete investimento massivo na Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (UERGS), com novas unidades em todas as cidades-polo do estado. Também propõe fortalecer a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (Fapergs) para estimular a produção científica.

O plano ainda prevê a reestatização de CEEE, Corsan e SulGás e o “controle social” de monopólios em setores estratégicos da economia.

Equipe Guia no Toque

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