O mercado de games voltou a discutir a sustentabilidade do modelo de assinaturas após duras críticas de Andrew Willis, ex-produtor e veterano da franquia DOOM. Durante participação no canal Kiwi Talkz nesta segunda-feira (14), o profissional classificou a gestão do XBOX Game Pass como falha, apontando baixa visão de futuro, falta de atenção aos detalhes e incompreensão do público consumidor.
Demissões em massa e impacto na id Software O desabafo de Willis ocorre meses após ele ser atingido pelos cortes promovidos na id Software em julho. A situação faz parte de um plano maior revelado pela CEO do XBOX, Asha Sharma, que confirmou a extinção de mais de 3.200 postos de trabalho na divisão ao longo do atual ano fiscal.
Falta de métricas e rumos para os desenvolvedores Para o desenvolvedor, a Microsoft falhou ao estabelecer parâmetros claros para medir o sucesso do serviço por assinatura. Willis relatou que a equipe de produção ficava às cegas em relação aos objetivos esperados pela empresa.
Para o ex-produtor, a Microsoft não descobriu como medir o sucesso do Game Pass. “Eram horas jogadas? Eram jogos instalados? Era retenção de usuários? Eu e muitos dos meus colegas certamente nunca ouvimos nada sobre métricas que precisávamos atingir.”
Essa indefinição prejudica diretamente a criação dos títulos, já que os estúdios ficam sem saber qual direção seguir para atender às expectativas da plataforma.
Se a Microsoft busca determinada métrica para jogos no XBOX Game Pass, como horas jogadas, os estúdios do XBOX, na teoria, trabalhariam em títulos buscando esse aspecto. “Este é um jogo que você simplesmente quer que as pessoas joguem perpetuamente? Você quer que ele seja superlongo? Você só quer que the pessoas o vejam e queiram instalá-lo imediatamente, sem se importar se elas vão jogar?”, seguiu o ex-produtor.
Polêmica sobre a inclusão de DOOM Outro ponto central da crítica foi a presença da famosa franquia de tiro na plataforma digital. Segundo o veterano, inserir DOOM no catálogo foi “uma ideia estúpida”.
Embora a Bethesda tenha revelado no ano passado que DOOM: The Dark Ages havia chegado à marca de 3 milhões de jogadores 7 vezes mais rápido que DOOM Eternal, os números podem ter sido diluídos por conta do serviço por assinatura. Na época, analistas de mercado informaram que mais de dois milhões de jogadores desse total vieram do XBOX, enquanto meio milhão de fãs estavam no PlayStation 5.
O impacto financeiro nas vendas diretas O profissional também responsabiliza o modelo de negócios pelas vendas que “não se saíram tão bem quanto o esperado”. A compensação financeira oferecida pela assinatura pode não ter compensado a perda de receita com a comercialização tradicional dos títulos.
Willis culpa o Game Pass por vendas que “não se saíram tão bem quanto o esperado”. O ex-produtor afirmou imaginar que, “seja qual for a compensação entre comprar o jogo diretamente e estar no Game Pass, e seja qual for essa métrica (instalações, tempo de jogo, o que for), acho que talvez não tenha sido bom o suficiente”.
Sobre os cortes drásticos em seu antigo estúdio, o desenvolvedor disse especular sobre o motivo de a id Software ter sido tratada como foi, mas que não faz ideia do porquê de a produtora ter sido cortada pela metade.
Futuro incerto para o serviço de assinaturas As críticas de Willis refletem um debate antigo sobre o impacto dos lançamentos simultâneos no ecossistema da marca, frequentemente acusado de canibalizar as vendas de softwares. Diante de tantas polêmicas, especula-se que o modelo de negócios possa passar por mudanças drásticas no próximo ano, incluindo o fim das estreias no formato “day one” e a introdução de novas modalidades de planos para os assinantes.
{{WHATSAPP_CHANNEL}}








