Proprietários de veículos no mercado brasileiro têm enfrentado demoras que superam três meses para conseguir finalizar manutenções nas oficinas mecânicas. Um mapeamento setorial conduzido pela Autoglass identificou três categorias de automóveis especialmente vulneráveis ao desabastecimento: novidades trazidas por montadoras chinesas, modelos antigos já descontinuados e bólidos importados de alto luxo.
Gargalo em vidros afeta modelos chineses recém-chegados
A rápida invasão de fabricantes asiáticas evidenciou a falta de sincronia entre o ritmo acelerado de emplacamentos e a estrutura de suporte pós-venda local. Exemplares recentes como a picape BYD Shark, o hatch MG4 e o utilitário Geely EX5 esbarram em severas dificuldades para a reposição de vidros e componentes especificamente ajustados para as exigências do trânsito brasileiro.
Clássicos fora de linha e esportivos exclusivos
Outro segmento duramente impactado é o de carros cuja fabricação se encerrou há mais de dez anos. Projetos tradicionais como o Volkswagen Golf e os icônicos Chevrolet Monza e Kadett dependem exclusivamente de estoques residuais, sofrendo principalmente com o sumiço de componentes de iluminação, como faróis e lanternas.
Por outro lado, o cenário mais crítico em termos de tempo e custo recai sobre os esportivos de prestígio internacional. Máquinas como a Ferrari SF90 e o Porsche Cayenne S demandam importação independente ou trâmites com representantes oficiais exclusivos. Esse fluxo faz com que as encomendas levem entre 60 e 90 dias para desembarcar, encarecendo os orçamentos e travando a conclusão dos serviços.
Desafios logísticos diante de uma frota envelhecida
O quadro se torna ainda mais desafiador considerando que os automóveis que circulam no país registram uma idade média superior a 11 anos. Diante da convivência de veteranos com novas tecnologias importadas, a assertividade no planejamento dos suprimentos automotivos virou prioridade absoluta para mitigar custos operacionais e diminuir o tempo de pátio.
“O aumento da diversidade da frota brasileira exige um trabalho estratégico na gestão dos estoques. Hoje não basta acompanhar apenas os itens de maior giro”, observou Flávio Cezario, vice-presidente da Autoglass.
De acordo com o executivo, o caminho para encurtar a espera do condutor reside no rastreamento analítico das peças com maior probabilidade de desgaste ou avaria, incluindo os componentes destinados a modelos com volume menor de circulação nas ruas.








