Gears of War E-Day é bom? Confira review com o novo exclusivo do Xbox e PC
Gears of War: E-Day chega aos consoles nesta terça-feira (06) mantendo uma característica cada vez menos comum nos grandes lançamentos: a possibilidade de jogar a campanha em multiplayer local. No Xbox Series X|S, até dois jogadores podem dividir a tela e avançar juntos pela história, enquanto a campanha também oferece suporte para até quatro pessoas no modo cooperativo online.
Em entrevista ao VOXL, Kate Rayner, diretora técnica da The Coalition, e Matt Searcy, diretor do estúdio, explicaram por que a equipe decidiu manter o recurso mesmo diante dos desafios técnicos de um jogo construído na Unreal Engine 5. Para os desenvolvedores, a resposta está na própria identidade de Gears of War: a experiência foi pensada ao redor da ideia de fazer parte de um esquadrão.
A decisão também ajuda a diferenciar E-Day de outros shooters atuais que deixaram o multiplayer local de lado. Embora a campanha possa ser aproveitada sozinho, a The Coalition considera que existe algo particularmente especial em sentar ao lado de outra pessoa e enfrentar a história juntos — uma tradição que acompanha a franquia desde os primeiros jogos.
Multiplayer cooperativo faz parte do DNA de Gears of War
Segundo Matt Searcy, o escopo multiplayer de Gears of War: E-Day está longe de ser pequeno. Além da campanha para quatro jogadores, o jogo conta com experiências PvE para até 12 pessoas e modos competitivos, o que exigiu investimentos técnicos que atravessam praticamente toda a estrutura do projeto.

“Fazer um jogo que funciona como uma campanha cooperativa para quatro jogadores, uma experiência PvE de três esquadrões com 12 jogadores e um shooter competitivo de PvP não é pouca coisa. É uma quantidade enorme de trabalho, mas isso é tão fundamental ao DNA de Gears que todas as nossas experiências são sobre o esquadrão.”
Para Searcy, essa filosofia começa ainda no desenvolvimento e influencia desde a tecnologia até as mecânicas de gameplay. O objetivo é que os quatro personagens da campanha sejam participantes reais da história, reforçando a sensação de estar lutando ao lado de uma equipe em vez de simplesmente adicionar companheiros controlados por outros jogadores.
Kate Rayner explica que a The Coalition também desenvolveu sua estrutura técnica pensando em permitir que diferentes modos compartilhem recursos e sistemas, garantindo jogo cruzado entre diferentes lojas e dispositivos. O multiplayer funciona sobre uma base de cliente-servidor que atende campanha, cooperativo online, Horde e PvP, enquanto o crossplay permite que jogadores de Xbox, PC e dispositivos portáteis se encontrem na mesma experiência.
Campanha de Gears E-Day mantém tela dividida no Xbox
A tela dividida é uma extensão dessa filosofia. Rayner afirma que o recurso continua presente justamente porque a equipe observa como os jogadores aproveitam a franquia ao longo dos anos — incluindo casos em que alguém termina a campanha sozinho e depois retorna para jogá-la novamente com outra pessoa.
“Sempre esteve lá como parte da franquia e podemos ver, pelos jogos anteriores e pela forma como as pessoas jogam, que é uma parte importante da experiência. Muitas pessoas jogam a campanha inteira sozinhas e depois jogam novamente com outra pessoa em tela dividida”, explica a diretora técnica.
“Muitas pessoas jogam a campanha inteira sozinhas e depois jogam novamente com outra pessoa em tela dividida”
Kate Rayner, diretora técnica da The Coalition.
Searcy reforça que a experiência local tem um valor próprio, mesmo em uma época em que boa parte do multiplayer acontece pela internet. “Gears funciona muito bem no single-player, mas existe algo especial em jogar com um amigo”, explicou o diretor, destacando a experiência de sentar no mesmo sofá e compartilhar uma campanha — algo que, segundo ele, ficou cada vez menos comum nos jogos atuais.
No entanto, a tela dividida de E-Day é exclusiva dos consoles Xbox Series X|S. No PC, a The Coalition optou por não oferecer o recurso, seguindo uma tendência comum na indústria: segundo Rayner, a estrutura de múltiplos controles e perfis de usuário torna a experiência mais natural nos consoles, enquanto jogadores de PC costumam recorrer ao multiplayer online.
Como a tela dividida funciona em Gears of War E-Day
A decisão também envolve uma justificativa técnica. Colocar duas perspectivas simultâneas na tela aumenta a carga de processamento, especialmente em um jogo que aposta em ambientes detalhados e recursos visuais avançados da Unreal Engine 5.
A diretora técnica explica que a equipe conseguiu preservar boa parte dos recursos gráficos no modo local, mas precisou reduzir a taxa de quadros para equilibrar qualidade visual e desempenho. Gears of War: E-Day roda a 60 quadros por segundo em tela cheia, enquanto a tela dividida funciona a 30 FPS.

“Conseguimos dimensionar o desempenho para ter uma fidelidade incrível na tela dividida sem realmente desligar nenhum dos recursos visuais. Otimizamos o jogo para que ele tenha um bom desempenho nesse modo. O jogo roda a 60 quadros por segundo em tela cheia e, na tela dividida, caímos para 30”, comenta a desenvolvedora.
Na prática, a escolha mostra como a The Coalition tratou o multiplayer local como parte da experiência principal de E-Day, e não apenas como uma função herdada dos jogos antigos. Em uma indústria cada vez mais concentrada em experiências online, a possibilidade de chamar alguém para o sofá e jogar uma campanha de Gears continua sendo uma das apostas mais tradicionais — e, justamente por isso, mais curiosas — do novo capítulo.
Gears of Way E-Day já está disponível para jogar no PC e Xbox Series S e X. O jogo também faz parte do catálogo do Xbox Game Pass Ultimate.








