A pegadinha da China na liderança do Pisa
Algo básico em análise de séries temporais é que só existe comparabilidade quando se mantém a metodologia ao longo do tempo.
Um grupo de hackers chineses estaria se passando por especialistas de inteligência artificial norte-americanos para roubar emails dos verdadeiros especialistas em IA. A informação foi reportada por um relatório da empresa de cibersegurança Proofpoint nesta quinta-feira (1º).
O coletivo hacker foi identificado pelos pesquisadores como “TA419” e opera com esse tipo de campanha pelo menos desde 2025. Dentre os alvos estão funcionários de universidades, think tanks, escritórios de advocacia e de empresas de defesa. Esses criminosos regularmente tentam roubar senhas e credenciais de pessoas que trabalham para companhias dos Estados Unidos ou do Japão.
A tática do golpe é simples e corriqueira, pois utiliza a técnica de engenharia social. Esses farsantes enviam emails que simulam figuras importantes da área de tecnologia e propõem falsas colaborações. No corpo dos emails há links que direcionam as vítimas para páginas falsas, onde os cibercriminosos conseguem roubar os acessos.

Pesquisadores ligam hackers à China
A Proofpoint atribui a autoria dos ataques ao grupo chinês por conta da infraestrutura de rede usada pelos hackers. O tipo de malware empregado e o fato de os alvos estarem alinhados com as prioridades de Pequim também servem como indicativo. A China, por sua vez, não se pronunciou sobre o assunto.
O estudo elaborado pela firma aponta que o volume de casos é baixo, com menos de dez indivíduos afetados. No entanto, essa informação reafirma que o grupo TA419 busca dados direcionados dos alvos, com foco em detalhes dos documentos norte-americanos e suas políticas, não qualquer informação sobre IA.
Quem foi afetado pelo golpe?
A Reuters aponta que uma das identidades usadas pelos cibercriminosos é de Lynne Parker, ex-diretora adjunta principal do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca. Parker revelou que outras pessoas receberam mensagens falsas e analisou o cenário geopolítico global: “Os Estados Unidos e a China estão em uma competição em torno da IA […] Tentar fazer com que pessoas da área revelem informações sobre seus planos não é surpreendente”, pontua.
O veículo também encontrou uma das vítimas do grupo: Alex Engler. Ele é um ex-funcionário da Casa Branca e chefe do Penn Center on Media, Technology and Democracy. O homem relatou ter recebido um convite enviado por Parker para “ingressar em um novo projeto de políticas de IA”.
Mesmo com a mensagem convincente, Alex Engler resolveu checar a procedência do email com alguns colegas e concluiu que tudo não se passava de um golpe. Em situações assim, é sempre importante conferir o destinatário do email, não clicar diretamente em links nem baixar arquivos, além de jamais inserir seus dados em sites não confiáveis.
Por falar em hackers, cibercriminosos estão utilizando o assistente do ChatGPT para aplicar golpes e infectar computadores. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
Com informações de Reuters








