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OpiniãoCarros elétricos serão maioria nas ruas antes do que você pensa

OpiniãoCarros elétricos serão maioria nas ruas antes do que você pensa
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Se você tem notado mais carros elétricos no trânsito, não é impressão: as vendas de elétricos crescem mais rápido que o esperado. Já tratei disto nesta coluna em abril último. Mas como fica o futuro?

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Spoiler: em menos de 10 anos, os elétricos devem se tornar líderes de vendas; em cerca de 15, a maioria dos carros em circulação. E, mesmo no cenário mais lento, essa virada acontece antes de 2045.

Projetei três cenários para estimar quanto essa eletrificação vai mudar a frota até 2050.

Para isto, precisamos ver o ponto de partida: a frota circulante atual é estimada em 46 milhões de automóveis e comerciais leves, segundo o Sindipeças.

As vendas atuais estão na casa de 2,5 milhões/ano (2025) e devem fechar 2026 em 3 milhões. Hoje, 1 em cada 8 carros vendidos já é recarregável (1º semestre de 2026).

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Por que tanta velocidade? A atual vantagem de custo por km rodado entre carros com motor elétrico e os a combustão não deve diminuir (principalmente quando os elétricos são abastecidos na rede residencial). Aliás, considerando as constantes pressões sobre os preços de petróleo, a vantagem de custo por km rodado do elétrico tende a aumentar. A grande força motriz é o desejo do consumidor: ele quer carros eletrificados.

O mais importante para começar a estimar o futuro é perceber que a frota vai crescer pouco, por causa da demografia. Segundo as projeções do IBGE, a população maior de idade, que cresceu 45% desde 2000, crescerá apenas 12% até 2050: o aumento da demanda via novos consumidores está praticamente esgotado.

E a taxa de motorização (leves por 1000 habitantes), que estava em 283 no ano passado, deve ficar entre 292 e 375 em 2050, nas minhas projeções.

Para quem se interessar pelos detalhes da metodologia, vou deixar disponível neste link do Github.

Assim chegamos a uma estimativa da frota circulante: dos 39,5 milhões de automóveis em circulação em 2025, chegaremos a 45,4 milhões em 2040 e 49,4 milhões em 2050. Para os comerciais leves, um aumento de 6,7 milhões para 11 milhões em 2040 e 11,3 milhões em 2050.

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Aqui estão três cenários distintos de participação dos carros elétricos (a bateria e plug-in) nas vendas de novos: em qualquer um deles, os recarregáveis lideram as vendas antes de 2035.

Neste gráfico represento o quanto os elétricos plug-in e a bateria significarão na frota circulante: dependendo da velocidade de adoção, serão maioria da frota entre 2038 e 2045. Ou seja: nestes meus cenários, a virada acontece em menos de 20 anos.

E os carros com motorização convencional, como ficam? No ano passado, os motores a flex somaram 83% dos veículos em circulação. Mas esta participação tende a cair: em 2040, só 39% dos veículos circulando no Brasil terão motor flex (na minha projeção com ritmo de eletrificação intermediário). Em 2050, apenas 14%.

Enquanto isto, os carros eletrificados representarão três quartos da frota circulante neste cenário.

Agora pense comigo: não é muito tempo. Como disse no início: menos de 10 anos para liderar as vendas e cerca de 15 para serem maioria nas ruas. Isto terá profundas implicações, a começar pela demanda muito menor de combustíveis fósseis. E, com ela, também menor demanda por etanol anidro (cuja mistura é obrigatória no Brasil). E veremos algo inédito: postos de combustível fechando não por ação do poder fiscalizador, mas por falta de demanda.

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Pensando no cotidiano de uma cidade: nível de ruído muito menor e nível de poluição também. E, com menos emissões, devem cair as doenças respiratórias ligadas à poluição urbana. Com o perdão do trocadilho, será um sopro de ar fresco para as cidades.

Estamos em meio a uma mudança como nunca vista neste mercado – não só pela novidade tecnológica, mas pela velocidade na qual ela avança. O carro que você comprar hoje provavelmente vai se aposentar num país com menos postos, menos ruído e menos fumaça.

Nota: vale lembrar que existe uma outra estimativa de frota circulante atual, esta publicada pelo Senatran, que é bem destoante – muito maior: 80 milhões – mas não é uma boa referência porque não considera corretamente os carros sucateados, que saem de circulação.

Equipe Guia no Toque

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