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OpiniãoPesquisadores de IA já ganharam o Nobel. Quando a própria IA levará o seu?

OpiniãoPesquisadores de IA já ganharam o Nobel. Quando a própria IA levará o seu?
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Em 2024, Geoffrey Hinton ganhou o Nobel de Física por suas descobertas sobre o treinamento de redes neurais artificiais. No mesmo ano, Demis Hassabis e John Jumper receberam o de Química pelo AlphaFold2, que é uma IA que prediz a estrutura das proteínas a partir da sua sequência de aminoácidos.

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Nos dois casos, foram premiados os cientistas que criaram os algoritmos. Uma coisa muito diferente seria uma IA levar o prêmio por uma descoberta própria. Nenhuma máquina estará entre os vencedores de 2026, que serão anunciados entre 5 e 12 de outubro, mas avanços recentes deixaram essa possibilidade um pouco mais próxima.

No dia 8 de setembro, a OpenAI anunciou uma solução para o problema de Navier-Stokes, um dos sete desafios matemáticos do milênio, com uma recompensa de US$ 1 milhão cada. Para chegar ao resultado, foram utilizados 10 mil agentes de IA, que trocaram 2,7 milhões de mensagens. A prova ficou pronta 88 horas depois do início do trabalho pelas IAs.

Houve, porém, muita direção humana durante todo o processo: pesquisadores escolheram os problemas, redistribuíram os esforços e orientaram novas tentativas a partir dos resultados anteriores. O trabalho também se apoiou em décadas de estudos matemáticos desenvolvidos por seres humanos.

Não existe um Nobel de Matemática, mas o interesse desse avanço vai além da área. Na saúde, um resultado equivalente seria identificar um mecanismo de doença que abrisse caminho para um novo tratamento. Nesse caso, a descoberta ainda precisaria sobreviver aos experimentos e, quando necessário, aos estudos com os pacientes. Karl Popper escreveu que toda teoria científica precisa ser passível de refutação, e essa regra vale também para as milhares de ideias produzidas por uma IA.

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Não sabemos quando um algoritmo terá autonomia suficiente para conduzir uma descoberta dessa importância. Os resultados deste ano, porém, oferecem motivos concretos para levar essa possibilidade a sério. O fato de ainda haver humanos conduzindo o processo descreve apenas o estágio atual da tecnologia, não é um limite do que a IA poderá um dia fazer.

 

Há uma consequência ainda mais interessante, que é o fato de que essa IA capaz de merecer um Nobel poderia ser clonada milhares de vezes. Se conseguirmos multiplicar uma inteligência artificial com essa capacidade, as descobertas poderão continuar por muito mais tempo.

Em 2016, o biólogo Hiroaki Kitano lançou o Desafio Nobel-Turing: criar até 2050 uma IA capaz de gerar hipóteses, planejar experimentos e analisar dados sem intervenção humana, até chegar a uma descoberta digna do prêmio. A solução de Navier-Stokes mostra que estamos ficando mais perto desse momento.

Quando assinou seu testamento em 1895, Alfred Nobel destinou o prêmio de Física a quem tivesse feito a descoberta ou invenção mais importante da área. Para o inventor da dinamite, a palavra “quem” não precisava de definição. O comitê de Estocolmo precisará estabelecer melhor esse critério de elegibilidade até 2050.

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