A paralisação de cerca de uma hora na atualização dos dados da apuração do primeiro turno das Eleições 2026 ocorreu em apenas um dos painéis da etapa de exibição pública, especificamente na apresentação do resultado nacional para presidente. A explicação consta em resposta oficial enviada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao TecMundo para detalhar a instabilidade observada na noite de domingo (4).
Segundo a nota do órgão, o problema afetou a geração dos arquivos de divulgação da “granularidade Brasil”, sem provocar impactos nos demais painéis estaduais ou nas etapas de recepção, cálculo e totalização dos votos. Para contextualizar a operação tecnológica, o tribunal informou ter entregue 1,3 petabyte de dados no fim de semana das eleições ao atingir picos de transmissão de 563 gigabytes por segundo e 26,91 bilhões de requisições de acesso (hits).
A instituição ressaltou que, embora o tamanho dos arquivos gerados pelas urnas seja pequeno, a operação de apuração consome recursos significativos em etapas paralelas, como verificação de assinaturas digitais, análise de tabelas de correspondência e checagens sintáticas e semânticas.

Foto: Luiz Roberto/TSE Foto: Luiz Roberto/TSE
Em pronunciamento coletivo prestado no dia da votação, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, defendeu que o somatório interno seguiu preservado e afastou suspeitas de invasões:
Nós tivemos um atraso em relação a um congestionamento ocorrido em um desses sistemas que é o sistema de divulgação. O TSE tinha absoluto controle da situação
Nunes Marques, presidente do TSE
Em sintonia, o órgão reafirmou, em publicação oficial feita nesta terça-feira (6), que não foi identificada nenhuma interferência externa ou ataque de negação de serviço contra a infraestrutura do pleito.
Apuração de dados e questionamento técnico
Contudo, o pesquisador em infraestrutura de redes Thiago Ayub afirma que o tamanho reduzido dos arquivos de urna gera dúvidas sobre a tese de congestionamento na exibição contínua. As análises do especialista, feitas a partir do Portal de Dados Abertos do TSE e divulgadas em um post no X (antigo Twitter), indicam que o volume de dados gerado pelas urnas é insignificante para a capacidade da internet atual.
“Existem várias possíveis causas banais e críveis para a interrupção da atualização de dados no site do TSE. Desde um técnico que esqueceu um comando até um bug em algum software de automação. A de congestionamento não é uma delas”, identifica ele, em entrevista ao TecMundo.

Urna eletrônica e lacre das URNA
Foto: Antonio Augusto/TSE Foto: Antonio Augusto/ESTADAO
O levantamento realizado por Ayub com base no histórico do tribunal indica que o arquivo médio transmitido por urna é de cerca de 0,168 megabytes, com boletins individuais que não passam de 0,02 megabyte:
Consultando os dados extraídos de todas as urnas no pleito de 2022 do maior colégio eleitoral do país (São Paulo), disponíveis no site do TSE, encontrei mais de 500 mil arquivos, dos quais o maior contém 0,02 megabyte (um Boletim de Urna). É muito menor do que 1 megabyte. São dados tão pequenos em volume que é difícil imaginar um sistema que possa ser congestionado por eles”
Thiago Ayub, diretor de Tecnologia na empresa Sage Networks
O pesquisador ressalta ainda que o setor de Tecnologia da Informação costuma adotar relatórios detalhados conhecidos como ‘post mortem’ após falhas em grandes plataformas, para documentar tecnicamente as causas raiz e mitigar riscos em auditorias públicas.
“Falta ao TSE a publicação de um ‘post mortem’ que, ao dar transparência ao incidente, possa esvaziar seu potencial de inspirar preocupação no eleitor”, pondera Ayub.
Ajustes e preparação para o segundo turno
Diante das cobranças por medidas antirreincidências, a assessoria de imprensa do órgão informou que “as equipes técnicas do Tribunal Superior Eleitoral estão analisando, desde a noite do dia 4 de outubro, o episódio, de forma a assegurar que não haja interrupções semelhantes na divulgação de dados do 2º turno”, marcado para 25 de outubro.
A Justiça Eleitoral destacou também que os resultados registrados em cada urna permanecem preservados e podem ser conferidos publicamente por qualquer cidadão ou entidade fiscalizadora por meio do QR Code impresso nos Boletins de Urna e nos aplicativos Boletim na Mão, e-Título e Resultados.
Falando sobre as Eleições de 2026, as urnas eletrônicas completaram 30 anos na história da democracia brasileira. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.








