Nasa lança o telescópio Roman, que criará um novo ‘Atlas do Universo’
Instrumento de última geração foi lançado em órbita por um foguete Falcon Heavy da SpaceX, a partir do Centro Espacial Kennedy, na Flórida (EUA). Crédito: @nasa via X
Com idade estimada em menos de 1 milhão de anos, Elias 2-24b é o exoplaneta mais jovem descoberto até o momento, oferecendo aos cientistas uma rara visão de mundo em formação. Ele foi identificado por pesquisadores da Universidade Diego Portales, no Chile, que divulgaram os detalhes em um estudo publicado no periódico The Astrophysical Journal Letters, no mês passado.
Até então, os recordistas anteriores de “exoplanetas bebês” eram dois que orbitam a estrela PDS 70 e outros dois nas proximidades da estrela WISPIT 2. Todos eles têm mais de 5 milhões de anos de idade, uma diferença significativa para a descoberta recente. Em comparação, a idade dos planetas do Sistema Solar é de 4,6 bilhões de anos.
Solucionando um mistério de 10 anos
Orbitando a estrela Elias 2-24 a uma distância de 55 unidades astronômicas (cada unidade representa a distância média entre a Terra e o Sol), o mais novo exoplaneta bebê está localizado a aproximadamente 450 anos-luz da Terra. Estima-se que ele tenha massa de 1,9 a 4,0 vezes a de Júpiter, embora seu volume possivelmente seja menor.
- A descoberta resolve um mistério que intrigava os astrônomos há uma década, quando o Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA) registrou uma lacuna no disco de poeira da igualmente jovem estrela;
- Esse mesmo ponto de luz foi detectado posteriormente pelo Very Large Telescope (VLT) do Observatório Europeu do Sul, também no Chile, levando os astrônomos a debater sobre a possibilidade de ser um planeta;
- No entanto, os modelos atuais de formação planetária teorizam que um planeta do tamanho de Júpiter leva 5 milhões de anos para se formar, considerando sua distância para o Sol;
- Dessa forma, um planeta como Elias 2-24b, muito mais distante de sua estrela, demoraria ainda mais tempo para se formar, o que não aconteceu.

Conforme o estudo, o mundo recém-descoberto se comporta como planeta depois de um período significativamente curto de 1 milhão de anos em comparação com os demais modelos. Para os autores, ele foi formado pelo processo de acreção de núcleo, capaz de gerar planetas gigantes mais rápido do que se acreditava.
“Nossos modelos de formação planetária já tinham dificuldades para explicar os recordistas anteriores de planeta mais jovem conhecido. Elias 2-24b nos mostra que mesmo nossos melhores modelos de formação planetária ainda deixam de explicar alguns processos importantes”, afirmou Lucas Cieza, coautor da pesquisa, ao site da NASA.
Inaugurando uma nova era de descobertas
Os cientistas que participaram da pesquisa planejam realizar novos trabalhos na identificação de exoplanetas jovens com o lançamento do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, realizado em agosto. O equipamento possui um coronógrafo ainda mais poderoso que o utilizado nesta investigação.
Tal dispositivo permitirá encontrar planetas em órbitas muito menores, que normalmente não são identificados por telescópios antigos, utilizando a mesma técnica. O trabalho também envolveu a análise de dados do Observatório Keck, que ajudou na confirmação.
“Elias 2-24 b está no limite do que os telescópios atuais podem detectar, mas com novos instrumentos como o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA, essas detecções devem se tornar mais fáceis”, destacou o líder da equipe, Andrea Bernardi.
Siga no TecMundo e saiba, detalhadamente, o que são os exoplanetas.
Com informações de NASA, Wired e Space.com.








