O catálogo da Netflix recebeu recentemente a estreia de Monstro: A História de Lizzie Borden, produção que revisita um dos episódios mais emblemáticos da crônica policial do final do século XIX nos Estados Unidos. A trama resgata os eventos ocorridos em 1892, quando Lizzie Borden foi levada aos tribunais sob a acusação formal de ter assassinado o próprio pai e a madrasta por meio de repetidos golpes de machado. Embora tenha sido declarada inocente pelo júri na época do julgamento, a figura histórica de Borden transformou-se em um fenômeno duradouro na cultura pop ocidental, servindo de base para inúmeras obras de ficção, cantigas e estudos forenses ao longo das décadas.
Contudo, a grande indagação que passou a dominar os debates entre os espectadores e a comunidade de fãs do gênero true crime logo após a disponibilização dos episódios diz respeito à continuidade da franquia antológica. Diante do histórico recente de investimentos do serviço de streaming e da repercussão obtida pela quarta iteração da saga, muitos questionam se a empresa concederá o aval necessário para o desenvolvimento e a veiculação de uma quinta temporada nos próximos anos.
O futuro da franquia Monstro e o silêncio da Netflix
No momento atual, a Netflix ainda não oficializou qualquer posicionamento sobre a renovação ou o cancelamento de Monstro para uma quinta temporada. A ausência de um anúncio formal nas semanas imediatamente posteriores ao lançamento reflete uma prática habitual da companhia, que costuma realizar uma avaliação detalhada do comportamento de consumo dos seus assinantes globalmente antes de autorizar aportes financeiros em novos ciclos narrativos.
A gigante do entretenimento digital mantém a postura de monitorar cautelosamente o engajamento e a sustentação de audiência obtidos por A História de Lizzie Borden. O objetivo dessa análise criteriosa é compreender o grau de fidelidade do público que acompanha a antologia e verificar se a fórmula continua atraindo o contingente expressivo de usuários necessário para justificar os elevados custos de produção associados ao projeto criado pela dupla Ryan Murphy e Ian Brennan.
Os indicadores de audiência de A História de Lizzie Borden
Os números oficiais divulgados pela plataforma revelam que o quarto capítulo da franquia obteve um início expressivo em termos de público. Durante os seus quatro primeiros dias no catálogo mundial, Monstro: A História de Lizzie Borden registrou a marca de 12,2 milhões de visualizações, desempenho suficiente para catapultar o título de maneira direta ao primeiro lugar do ranking global de programas mais assistidos do serviço.
Esse montante de espectadores demonstra que a força da marca permanece relevante no ecossistema do streaming, sobretudo por se tratar da primeira oportunidade em que a antologia decidiu colocar uma figura feminina no centro absoluto dos holofotes narrativos. A reconstituição de um crime histórico do século XIX com essas características provou ter apelo comercial significativo para atrair a atenção do público de maneira rápida.
Comparativo de métricas com as edições anteriores
Ao realizar uma análise comparativa dos dados de desempenho fornecidos pela plataforma, nota-se que A História de Lizzie Borden manteve um padrão de audiência bastante linear e alinhado com os números consolidados pelas duas temporadas imediatamente anteriores:
Em 2025, a terceira fase do programa, intitulada A História de Ed Gein, computou exatamente os mesmos 12,2 milhões de visualizações no período inicial equivalente de exibição. Um ano antes, em 2024, a segunda narrativa da antologia, A História de Lyle e Erik Menendez, havia atingido a marca de 12,3 milhões de visualizações dentro da mesma janela temporal de quatro dias.
Essa estabilidade no patamar de 12 milhões de visualizações indica que a antologia construiu uma base de fãs fixa e consideravelmente sólida ao redor do planeta. Por outro lado, o patamar recente fica distante do recorde arrebatador conquistado pela leva inaugural de episódios. Em 2022, o lançamento de Dahmer: Um Canibal Americano registrou impressionantes 22,3 milhões de visualizações nos primeiros quatro dias na plataforma, estabelecendo um teto histórico que as temporadas subsequentes não conseguiram igualar.
A trajetória da franquia antológica no streaming
A gênese do projeto remonta a 2022, quando a produção desembarcou na Netflix planejada inicialmente sob a forma de uma minissérie fechada com narrativa única. Aquele primeiro projeto tinha como foco a trajetória criminal do assassino em série Jeffrey Dahmer. A abordagem crua das ações perpetradas pelo criminoso gerou intensa repercussão e controvérsias de escala global, provocando discussões inflamadas sobre os limites éticos do entretenimento baseado em tragédias da vida real.
Apesar das críticas recebidas por parte de determinados setores e das polêmicas que envolveram o impacto emocional sobre familiares de pessoas retratadas na narrativa, o sucesso comercial alcançado pela obra idealizada por Ryan Murphy e Ian Brennan superou as expectativas mais otimistas da empresa. Como resultado direto do alcance gigantesco do caso Dahmer, a liderança da Netflix decidiu modificar os planos originais e transformou a minissérie em uma série em formato de antologia regular, encomendando novas safras de episódios independentes focadas em crimes que marcaram a memória coletiva.
A expansão temática a cada ciclo
Com a transição estrutural para um formato episódico que aborda um caso distinto a cada temporada, o programa consolidou sua estratégia narrativa baseada na investigação da mente e do contexto social de figuras que cometeram ou foram associadas a atos de violência estarrecedores. A fórmula permitiu que o streaming mantivesse viva a atenção do público a cada lançamento, renovando elenco, cenários e épocas históricas.
Depois de esmiuçar a vida e a morte de Jeffrey Dahmer, o programa voltou seus esforços para o julgamento dos irmãos Lyle e Erik Menendez em 2024, explorando o crime parricida em Beverly Hills que parou a televisão norte-americana na década de 1990. Posteriormente, a temporada dedicada a Ed Gein, em 2025, viajou no tempo para expor os horrores rurais que inspiraram clássicos do cinema de horror, servindo como ponte até a chegada do julgamento de Lizzie Borden no final do século XIX.
Possíveis temas para uma eventual quinta temporada
Apesar do suspense gerado pela falta de confirmação oficial imediata por parte da distribuidora, os bastidores da equipe criativa não permanecem paralisados. Há perspectivas positivas no horizonte para os entusiastas que acompanham a produção e anseiam por novas abordagens narrativas focadas na crônica policial moderna.
Em declarações concedidas durante uma entrevista à revista People, o cocriador Ian Brennan confirmou que a equipe de roteiristas e produtores já se adiantou aos trâmites burocráticos e passou a avaliar ativamente uma lista de possíveis criminosos que poderiam encabeçar o elenco e a história de uma quinta temporada, caso a Netflix forneça formalmente o aval para o início da pré-produção.
Nomes cogitados pelos criadores nos bastidores
A sondagem interna conduzida pelos realizadores inclui alguns dos nomes mais emblemáticos da criminologia internacional. Entre os indivíduos analisados pela equipe como possíveis protagonistas de uma continuação, destacam-se figuras históricas e contemporâneas:
Um dos nomes de maior apelo mencionados por Ian Brennan é Ted Bundy. O serial killer norte-americano, responsável por dezenas de mortes e abusos ao longo da década de 1970, há tempos figura como um dos perfis mais especulados pelo público e pela mídia como o protagonista mais provável para assumir a quinta temporada da série.
Além de Bundy, outro perfil criminal em análise é o conhecido como Green River Killer, alcunha pela qual Gary Ridgway se tornou conhecido nos anais policiais dos Estados Unidos após uma sequência devastadora de assassinatos que aterrorizou o estado de Washington. A densidade investigativa desse caso histórico representaria um ponto de virada dramático para a direção de arte do projeto.
A relação de criminosos examinada pela produção inclui ainda o assassino BTK, acrônimo utilizado por Dennis Rader para descrever seu próprio método violento contra vítimas ao longo de várias décadas no Kansas. O caso é notório pelo envio sistemático de cartas provocatórias às autoridades e aos veículos de imprensa durante anos de impunidade, elemento propício para o estilo de suspense desenvolvido pela equipe de Ryan Murphy.
Por fim, surge entre as opções citadas o nome de Luigi Mangione, uma personalidade que se distancia dos perfis dos serial killers clássicos de meados do século passado e traz para a mesa de discussões dinâmicas contemporâneas que capturaram as manchetes da imprensa recente. A eventual inclusão de casos mais contemporâneos poderia reconfigurar o alcance do programa e inaugurar novas perspectivas narrativas para a franquia.
A relevância e as controvérsias do gênero true crime
Ao longo de todas as suas temporadas lançadas, a franquia Monstro tem sido acompanhada de maneira ininterrupta por controvérsias de ordem ética, artística e moral decorrentes da exposição explícita de tragédias sangrentas reais na tela. Especialistas em comunicação e parentes de vítimas envolvidas nos fatos costumam apontar o risco de espetacularização e revitimização provocado por produções de perfil biográfico dramatizado.
Ainda assim, mesmo diante de críticas mistas e do debate constante em torno da representação dramatizada de crimes violentos, a Netflix seguiu aplicando recursos na marca. A sustentação desse investimento corporativo apoia-se firmemente no impacto contínuo que as temporadas geram sobre a base de usuários do streaming e na consolidação expressiva do gênero true crime como um dos motores de audiência mais rentáveis e procurados de todo o mercado audiovisual contemporâneo.
O peso da decisão final para a plataforma de streaming
O momento presente impõe aos espectadores um período de compasso de espera até que a Netflix anuncie sua decisão definitiva a respeito dos rumos do projeto. A empresa avalia a retenção dos usuários ao longo dos episódios focados em Lizzie Borden, comparando a curva de consumo da produção recente com as métricas obtidas por suas antecessoras diretas.
Caso o sinal verde seja concedido pelas lideranças da plataforma, a franquia terá pela frente o desafio de manter seu fôlego narrativo, adaptando casos de imenso impacto popular como os de Ted Bundy, Green River Killer, BTK ou Luigi Mangione, reafirmando sua vocação como uma crônica televisiva voltada ao exame das manifestações mais extremas do comportamento humano.








