A Meta ingressou com ações judiciais contra quatro anunciantes acusados de operar esquemas fraudulentos que utilizavam a imagem indevida de celebridades e marcas renomadas para ludibriar usuários em suas plataformas digitais. As medidas legais atingem diretamente operadores no Brasil, além de empresas e indivíduos sediados na China e no Vietnã, envolvidos em práticas que combinavam manipulação digital de voz e vídeo, adulteração de páginas de destino e cobranças financeiras indevidas. A ofensiva nos tribunais ocorre em paralelo a uma série de bloqueios técnicos e investigações internacionais voltadas a desmantelar redes de crimes cibernéticos que atuam dentro e fora dos ecossistemas digitais da companhia.
O movimento jurídico representa uma intensificação na postura de responsabilização contra agentes maliciosos que tentam burlar os mecanismos de conformidade de anúncios. De acordo com a empresa, as medidas punitivas não se limitam à esfera jurídica: foram implementadas ações imediatas de fiscalização técnica, incluindo o cancelamento de métodos de pagamento vinculados aos infratores, a desativação permanente de perfis e contas operadas pelos grupos em suas plataformas, além do bloqueio dos domínios dos sites utilizados nos golpes. Para conter a migração das fraudes para outros serviços da internet, os dados e identificadores técnicos dessas operações fraudulentas foram compartilhados com parceiros do setor de tecnologia, possibilitando que outras companhias também barrem as atividades desses mesmos grupos.
O combate às fraudes de celeb-bait no Brasil
Uma das principais frentes de atuação das ações judiciais apresentadas pela controladora do Facebook e do Instagram é o enfrentamento da prática conhecida no ambiente digital como celeb-bait. Esse formato de golpe consiste no uso não autorizado de imagens, vídeos e nomes de figuras públicas de grande alcance popular — como artistas, personalidades da mídia e criadores de conteúdo — para criar anúncios enganosos. O objetivo dos criminosos é conferir uma falsa sensação de autenticidade e autoridade à mensagem publicitária, induzindo o público a clicar em links suspeitos que direcionam para sites externos fraudulentos voltados à coleta de dados pessoais ou à extorsão financeira direta.
Embora a presença de celebridades seja um recurso legítimo e comum no mercado de publicidade digital tradicional, os anúncios fraudulentos são estruturados de forma meticulosa para simular peças autênticas de comunicação institucional e endossos reais. Essa semelhança deliberada com campanhas comerciais verdadeiras dificulta a detecção imediata por parte dos consumidores, minando a confiança pública e infringindo frontalmente as políticas comerciais e as diretrizes da comunidade estabelecidas pelas plataformas digitais.
Ações judiciais miram promotores de produtos irregulares no país
No território brasileiro, os processos judiciais detalham esquemas articulados que combinavam o uso de tecnologia avançada de manipulação com a venda de produtos sem qualquer respaldo sanitário. Um dos processos atinge diretamente Vitor Lourenco de Souza e Milena Luciani Sanchez. A investigação técnica apontou que a dupla utilizava imagens manipuladas e vozes alteradas de celebridades conhecidas para promover produtos fraudulentos associados à área da saúde, induzindo consumidores ao erro quanto à eficácia e à recomendação de tais itens.
Em outra ação judicial movida no país, os alvos são as empresas B&B Suplementos e Cosméticos Ltda. (Brites Corp) e Brites Academia de Treinamento Ltda., juntamente com os indivíduos Daniel de Brites Macieira Cordeiro e Jose Victor de Brites Chaves de Araujo. Segundo as apurações, o grupo integrava uma ampla operação fraudulenta que empregava deepfakes — tecnologia que utiliza inteligência artificial para recriar com precisão feições e entonações vocais — de um médico famoso. A imagem manipulada do profissional de saúde era veiculada em anúncios enganosos que promoviam produtos de saúde desprovidos de aprovação regulatória junto aos órgãos competentes. Além da comercialização direta dessas mercadorias irregulares, a operação estendia suas fontes de receita à venda de cursos online desenvolvidos para ensinar outras pessoas a replicarem as mesmas táticas ilícitas de publicidade.
Ramificações internacionais: fraudes de investimentos na Ásia
A proliferação de esquemas baseados em celeb-bait não se restringe às fronteiras brasileiras, assumindo contornos de redes financeiras transnacionais. No âmbito internacional, a Meta ajuizou ação legal contra a empresa Shenzhen Yunzheng Technology Co., Ltd, sediada na China. A organização é apontada como responsável pela veiculação de anúncios que exploravam indevidamente a imagem de personalidades para atingir prioritariamente usuários localizados nos Estados Unidos, no Japão e em diversos outros países.
A estratégia do grupo chinês fundamentava-se em atrair vítimas para um esquema de fraude financeira de maior escala. As peças publicitárias enganosas serviam como porta de entrada para convencer os internautas a ingressarem em grupos fechados de investimento em plataformas de mensagens. Uma vez inseridos nesses ambientes controlados pelos golpistas, os usuários eram submetidos a táticas de persuasão psicológica para aplicar recursos financeiros em plataformas fraudulentas de investimentos, resultando em expressivas perdas de capital.
Diante do crescimento volumétrico dessas ameaças e da sofisticação progressiva das adulterações digitais, mecanismos dedicados foram implementados para proteger contas de empresas legítimas e figuras públicas de alto risco. O sistema de proteção contra exploração de imagem opera monitorando ativamente conteúdos relacionados a perfis notórios e conta atualmente com um contingente que ultrapassa a marca de 500.000 celebridades e figuras públicas protegidas em todo o mundo, reduzindo a incidência de uso indevido de suas identidades em peças publicitárias na rede.
A mecânica do cloaking e a fraude de assinatura
Outro eixo crítico combatido judicialmente envolve a utilização de métodos tecnológicos sofisticados de evasão de segurança, destacando-se a técnica conhecida tecnicamente como cloaking. Esse recurso malicioso consiste em programar servidores para enganar os sistemas automatizados e os revisores humanos responsáveis pela moderação de publicidade das plataformas, mascarando a real natureza da página web conectada ao anúncio.
Quando a verificação de conformidade da plataforma acessa o link associado à publicidade, o mecanismo de cloaking identifica o tráfego do auditor e exibe uma página perfeitamente funcional, legítima e em conformidade com as regras operacionais. Entretanto, quando o clique parte de um








