Flávio foi enganado das razões da sua vitória em função da lavada que a direita deu no Congresso
Carlos Andreazza fala sobre a virada inédita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), se reelegendo para um quarto mandato. Crédito: TV Estadão
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito neste domingo (25) para assumir mais uma vez o comando do Executivo no Brasil, ampliou as críticas contra empresas de tecnologia. O político citou o setor durante o primeiro discurso após a confirmação da vitória nas eleições.
Em uma fala ao lado de apoiadores e integrantes da campanha, Lula criticou uma possível interferência de plataformas digitais durante o pleito, reafirmando também uma promessa da gestão anterior de trabalhar pela regulação desses serviços.
“Foi uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais. E nós vamos ter que regulá-las”, afirmou o presidente.
O projeto de regular redes sociais já é um desejo antigo de Lula, mas que depende do apoio de um poder Legislativo que é de maior oposição no próximo mandato. Ainda assim, ele deve ampliar a pressão sobre companhias em áreas como fiscalização ou moderação e cobranças de impostos.
“Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real. Nós não podemos ter empresas monstruosas de grandes ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral”, discursou.
Apesar de não ter citado nomes na fala, o Partido dos Trabalhadores (PT) foi especialmente crítico da Meta ao longo da campanha — o candidato teria sido prejudicado em redes como Instagram e Facebook, com impulsionamento reduzido e um possível viés na Meta AI em relação a ele e o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que ficou em segundo lugar.
Em resposta às acusações, a Meta publicou uma nota confirmando os problemas, mas alegando falha técnica em todos os tópicos da denúncia.
Lula e a tecnologia no discurso de vitória
Para além da menção à regulação, Lula também falou sobre outros temas vinculados ao setor tecnológico no breve discurso:
- o presidente eleito confirmou que a comunicação digital “vai ganhar um espaço muito grande no governo”, inclusive com mais conteúdos produzidos por ele mesmo para redes sociais.
- ele ainda prometeu ampliar o ensino de matemática e foco em engenharias na educação, para “não ficar dependendo de inteligência artificial chinesa ou americana” e avançar na ideia de criar um modelo brasileiro;
- em relação a esse mercado, o objetivo é também atrair mais data centers para o Brasil, com parcela de capacidade computacional destinada para informações brasileiras;
- na saúde, Lula quer aumentar a quantidade de UTIs inteligentes implementadas, reforçando um projeto do Ministério da Saúde que começou na metade deste ano;
- por fim, ele falou em explorar o potencial energético do país, mas com base em energia renovável e avançando em políticas climáticas.
Quais os principais desafios de Lula no quarto mandato? Confira nesta análise!








