Pesquisadores de IA já ganharam o Nobel. Quando a própria IA levará o seu?
A participação de humanos nas descobertas atuais não é o limite do que a IA poderá fazer. Crédito: Alexandre Chiavegatto
Uma pesquisa que fundamenta o campo da optogenética, método capaz de demonstrar como as células nervosas podem moldar memórias, sentimentos e comportamentos no cérebro, foi a vencedora do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2026. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (5).
“O Prêmio Nobel de 2026 em Fisiologia ou Medicina foi concedido a Karl Deisseroth, Peter Hegemann e Georg Nagel ‘por suas descobertas relativas aos canais iônicos ativados por luz e à optogenética’”, escreveu o perfil oficial da organização no X. O trio de pesquisadores dividirá um prêmio equivalente a R$ 6,2 milhões pela cotação atual.
O que é optogenética?
A técnica premiada pela Assembleia do Nobel no Instituto Karolinska (Suécia), que cuida da categoria de Fisiologia ou Medicina, começou a ser desenvolvida no início dos anos 2000 por Hegemann e Nagel. Os especialistas descobriram uma proteína chamada canalrodopsina, que apresenta propriedades únicas.
- Identificada na superfície da alga unicelular Chlamydomonas, ela muda de estado ao ser exposta à luz azul, abrindo um canal na membrana;
- Por meio dessa abertura, íons carregados fluem para dentro da célula, gerando um impulso elétrico;
- Logo após, os pesquisadores verificaram que a canalrodopsina poderia ser inserida em outras células, tornando-as sensíveis à luz;
- Esse método passou a servir de base para estudos do sistema nervoso, aproveitando a propriedade de reposta à luz apresentada.

O passo seguinte envolveu a participação de Deisseroth, que introduziu o gene da proteína em células nervosas de ratos, desencadeando o sinal nervoso ao iluminá-las. Em 2007, o cientista conseguiu fazer o “interruptor” funcionar em células nervosas no cérebro de camundongos vivos.
Em resumo, optogenética é o “controle de sinais nervosos com luz”, como explicou a organização do Prêmio Nobel. A técnica transformou a compreensão do cérebro, ajudando a revelar circuitos neurais que guardam memórias, sentimentos e comportamentos específicos relacionados a distúrbios neurológicos e psiquiátricos.
Como a técnica é utilizada na prática?
Revelando a atividade cerebral de maneiras até então desconhecidas, a optogenética tem ajudado a elucidar doenças neurológicas como Parkinson e epilepsia. Ela também está sendo utilizada em iniciativas que tentam restaurar a visão em pacientes com deficiência visual.
No caso das aplicações terapêuticas, uma das ideias é injetar DNA que codifica uma proteína fotossensível nos neurônios da retina, possibilitando que eles sejam ativados e enviem sinais elétricos ao cérebro quando expostos à luz, superando as células mortas e danificadas. Estudos clínicos iniciais envolveram a retinose pigmentar, que causa a perda progressiva da visão.
“O que estamos fazendo agora — e muitos outros também — é descobrir como podemos aproveitar essa precisão para encontrar novos tratamentos, novos medicamentos e novas abordagens de neuromodulação que se baseiem nesse fundamento de causalidade”, disse Deisseroth, em entrevista à Scientific American.
Já o professor do Instituto Karolinska, Abdel El Manira, destacou que a optogenética tem apresentado avanços extraordinários para a neurociência, mas lembrou que “o cérebro ainda guarda inúmeros mistérios, com muito mais por aprender e descobrir”.
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Com informações de Prêmio Nobel e Scientific American.








