A Apple atualizou seu portfólio de MacBooks com o anúncio, nesta quarta-feira (28), de um modelo com tela sensível ao toque. O lançamento representa o primeiro dispositivo “2 em 1″ da marca e, também, uma mudança de postura, já que dois executivos históricos da empresa eram contrários a unir as funções de notebook e tablet em um mesmo aparelho.
Em diferentes ocasiões, tanto Steve Jobs quanto Tim Cook manifestaram-se de maneira negativa sobre a ideia de adicionar um display touchscreen ao MacBook. Dessa forma, a gigante da tecnologia recusou-se a fabricar tal modelo durante anos, seguindo os planos dos antigos CEOs.
“Ergonomicamente péssimo”
O primeiro a falar sobre o assunto foi Jobs. Durante o evento “Back to the Mac” realizado em 20 de outubro de 2010 na Califórnia (Estados Unidos), o cofundador da Apple descartou completamente o projeto. O comentário surgiu durante a apresentação de novos MacBooks Air de 11 e 13 polegadas.
- Na ocasião, o executivo comentou que a empresa havia testado o formato com alguns usuários e os resultados não foram bons;
- “Superfícies sensíveis ao toque não devem ser verticais”, afirmou, mostrando-se favorável a manter as telas convencionais no laptop da marca;
- Logo após, o então CEO da Apple disse uma frase que era sempre lembrada quando surgiam rumores de um MacBook com tela sensível ao toque;
- “A demonstração é ótima, mas depois de um curto período de tempo, você começa a se cansar e, após um período prolongado, seu braço fica dolorido. Não funciona. É ergonomicamente péssimo”, opinou Jobs.
Substituindo-o na liderança da Apple em agosto de 2011, Tim Cook pensava de maneira parecida. No ano seguinte, ele fez uma comparação curiosa ao comentar sobre os dispositivos híbridos, que tentavam unir as melhores características de duas categorias em uma só.
“Você pode convergir uma torradeira e uma geladeira, mas essas coisas, provavelmente, não serão aceitas pelo usuário”, disse Cook. O comentário surgiu como resposta a um questionamento sobre o Windows 8, que podia ser usado em notebooks e tablets, e se a Apple planeja lançar um portátil que funcionasse como os dois gadgets.
Mudança de postura
Nos anos seguintes, mais executivos da Apple reforçaram a filosofia defendida por Jobs, que o MacBook deveria continuar sendo operado por meio do teclado, mouse e trackpad, enquanto o iPad pelo toque. Mas a empresa se rendeu à tendência com o passar do tempo.
Rumores sobre o MacBook com tela touchscreen ganharam força por volta de 2022, quando Cook ainda comandava a empresa, o que mostra a sua própria mudança de postura. Hoje fora do cargo, ocupado por John Ternus, o ex-executivo celebrou a estreia em seu perfil no X, afirmando que os usuários “têm novas ferramentas para realizar seu melhor trabalho até agora”.
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